"É importante que possamos construir uma frente ampla de todos os que querem resgatar a democracia, sem distinções ideológicas", disse à Lusa a antiga dirigente do partido Pátria Para Todos, de esquerda, uma das formações que apoiou a candidatura presidencial do falecido líder socialista Hugo Chávez, que foi Presidente entre 1999 e 2013.

Andrea Tavares coordena atualmente o partido Alternativa 1, de centro-esquerda, e dirige o Fórum Câmbio Democrático, que congrega várias formações da oposição.

"Sabemos que há setores dissidentes do 'chavismo' que são críticos do Governo, mas que não se atrevem a sentar-se com a Mesa de Unidade (MUD, a mais representativa aliança da oposição) e que há setores da MUD que se negam a receber esses setores do chavismo para uma discussão política. Esta é a hora de organizar, de conseguir uma confluência (...) em uma só frente, para defender a democracia", disse.

Em declarações à Lusa, a ex-candidata à câmara mais importante de Caracas, explicou que "o mundo inteiro deve pôr os olhos sobre a Venezuela" e a Organização de Estados Americanos, que já iniciou um processo de ativação da Carta Democrática, deve considerar acelerá-lo porque "a democracia e a Constituição estão a ser violadas", considerou.

"Alternativa 1 acredita profundamente no diálogo, porque a nossa razão de existir é a política que é contrária à guerra e à confrontação. Estamos convencidos que vamos sair desta profunda crise que afeta o país e desta neo ditadura através do diálogo, da transição da conversão e dos acordos”, afirmou.

“O outro caminho, que é o da guerra e da violência, é totalmente impossível na correlação de forças que temos, não podemos enfrentar um governo que tem o poder das armas, não somente na estrutura formal das Forças Armadas, mas (também) de uma estrutura paramilitar em distintos bairros de Caracas", acentua.

Nesse sentido, sublinhou que no partido escolheram "a política como ferramenta de luta, por acreditar no diálogo, mas levado adequadamente, com negociadores experientes" e que "tem que se considerar uma data, este ano, para eleições regionais".

"Se não houver eleições, será mais uma violação à Constituição, porque a suspensão do referendo revogatório (do mandato presidencial de 2016) foi uma violação flagrante da Constituição", vincou.

Por outro lado, explicou que classifica o regime do Presidente Nicolás Maduro de "neo ditadura" pelo "esquema em que se implanta" e que faz que haja "quem não consiga perceber e pergunte como falamos de ditadura se há imprensa que convida alguns deputados opositores para expressar-se e podem fazer marchas".

"Há métodos novos de violação dos direitos políticos e humanos, métodos modernos, do século XXI. O Governo chegou ao poder com legitimidade de origem, vários processos eleitorais que lhe permitiram acumular força, mas desde que chegou ao poder não respeitou a Constituição, começou a violá-la e incluso a romper a divisão de poderes que é um fator chave da democracia, do equilibro e começou a governar de maneira autoritária e a impor o seu critério sobre o das maiorias", acusou.

Segundo Andrea Tavares trata-se de "uma forma muito subtil de ditadura, porque tem elementos legítimos de origem, conserva alguns elementos que podem parecer, à luz pública, expressões democráticas, mas ao mesmo tempo dá golpes à democracia".

Como exemplo refere as acusações de que o parlamento está em confronto com o Supremo Tribunal de Justiça e frisa que "o Governo buscou um mecanismo, jurídico, para desconhecer, não os deputados, mas a vontade de uma maioria do povo venezuelano que os elegeu como representantes"

"Aqui há muitos elementos muito próprios do fascismo de Mussolini, do fascismo de Hitler, e também esquemas que se puseram em prática em modelos do socialismo, como o da União Soviética, da Alemanha e o cubano, que estão totalmente obsoletos", frisou.

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