O prémio Allen Distinguished Investigator foi atribuído pelo trabalho desenvolvido sobre a forma como o sistema nervoso e o sistema imunitário interagem no corpo humano para o proteger das infeções.

Veiga-Fernandes realizou “estudos pioneiros que lhe permitiram identificar, com a sua equipa, unidades de células neuroimunes em diversas partes do corpo”, incluindo o intestino, os pulmões, a gordura e a pele, segundo a instituição.

“Trata-se de regiões especializadas onde os neurónios e células imunitárias se juntam e comunicam de forma a influenciar a maneira como o organismo responde a ameaças exteriores tais como vírus e bactérias”, explica a fundação.

O montante do prémio destina-se a um projeto a três anos e financiará o desenvolvimento de duas novas técnicas que permitirão medir como se processa a interação e comunicação celular.

Os cientistas vão criar marcadores fluorescentes especiais para ver quais são os neurónios que interagem com certo tipo de células imunitárias e desenvolver “uma etiqueta” específica para seguir certas células e ver o que acontece depois de terem interagido com neurónios.

“Estas técnicas deverão fornecer novas pistas sobre a forma como os neurónios influenciam diretamente o sistema imunitário”, esperam os cientistas.

Henrique Veiga-Fernandes é investigador principal no Centro Champalimaud, estudou medicina veterinária em Lisboa e em Milão, doutorou-se em Imunologia em Paris e fez o pós-doutoramento em Londres.

Em 2009, regressou a Portugal para fundar o seu próprio grupo de investigação no Instituto de Medicina Molecular, em Lisboa.

O prémio, de periodicidade anual, destina-se a financiar pesquisas de “excepcional criatividade e impacto potencial”, destacando ideias e esforços pioneiros, em áreas de fronteira, com um impacto transformador em biomedicina.

Os galardoados foram escolhidos por Paul Allen e um grupo de conselheiros científicos. Desde 2010 (incluindo esta última edição) foram atribuídos 69 prémios.

Além de Veiga-Fernandes, foram também seleccionados nove cientistas a trabalhar em oito projectos nos EUA e Canadá. Os projectos – nas áreas do linfoma, das neurociências, do sistema imunitário, do envelhecimento, do desenvolvimento e da biologia fundamental – recebem um total de 13,5 milhões de dólares (11,9 milhões de euros).

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