O presidente dos Estados Unidos considera a retirada do Afeganistão um  "extraordinário sucesso", dizendo que nenhuma outra nação seria capaz de um feito semelhante. O último avião norte-americano saiu do Afeganistão pouco depois da meia-noite desta terça-feira, duas décadas após o início da guerra.

"Completámos uma das maiores pontes aéreas na história", disse Joe Biden, na Casa Branca. "Nenhuma nação alguma vez fez, em toda a história, algo semelhante; apenas os Estados Unidos tinham a capacidade, a vontade e a habilidade para o fazer."

"O extraordinário sucesso desta missão deve-se ao incrível talento, bravura e coragem altruísta dos militares dos Estados Unidos [da América], os nossos diplomatas e os nossos profissionais de informações”, disse o Presidente dos EUA, em conferência de imprensa na Casa Branca, em Washington.

Biden garantiu ainda que o país está determinado em retirar os entre 100 e 200 norte-americanos que permanecem no Afeganistão.

Segundo os últimos números, cerca de 114.000 pessoas foram retiradas de Cabul, desde a tomada da cidade pelos talibãs, em cerca de 2.900 em voos militares ou da coligação internacional.

No discurso na Casa Branca, o presidente norte-americano explicou que os EUA não tinham outra escolha a não ser a retirada, depois do acordo assinado pelo seu antecessor Donald Trump com os talibãs.

“Eu assumo a responsabilidade por esta decisão. […] Tínhamos apenas uma escolha simples. Ou seguir o compromisso assumido pelo governo anterior e deixar o Afeganistão, ou dizer que não íamos embora e enviar dezenas de milhares de soldados para a guerra”, disse.

De acordo com Joe Biden, a “verdadeira escolha era entre sair ou escalar [o conflito]”, acrescentando que não iria prolongar eternamente a guerra e a retirada das pessoas do Afeganistão.

“Depois de 20 anos de guerra no Afeganistão, recusei-me a enviar outra geração de filhos e filhas da América para lutar numa guerra que deveria ter terminado há muito tempo”, sustentou.

Joe Biden defende que os Estados Unidos estavam "preparados quando as forças de segurança afegãs (...) não aguentaram tanto tempo quanto todos esperavam." Biden admite que as forças armadas do Afeganistão colapsaram antes do esperado, mas diz também que deu ordens "à equipa de segurança nacional [dos Estados Unidos] para se preparar para qualquer eventualidade, incluindo essa."

Dando por concluída a guerra em território afegão, Biden aproveitou para alertar, durante o seu discurso, que os EUA ainda não destruíram a ala afegã dos ‘jihadistas’ do Estado Islâmico (ISIS-K).

“ISIS-K: não acabámos convosco”, exclamou o presidente norte-americano.
Para Joe Biden, a melhor maneira de proteger a segurança dos EUA “é através de uma estratégia forte, implacável, focada e precisa, que persegue o terror onde se encontra hoje”, onde não estava há duas décadas.

O presidente dos EUA reiterou que o fim da presença militar no Afeganistão é o melhor para os futuros interesses do país.

“Dou-vos a minha palavra, do fundo do coração. Não tenho dúvidas que esta é a decisão certa, uma decisão sábia e a melhor decisão para a América”, realçou.

Os Estados Unidos terminaram na segunda-feira a sua guerra mais longa com a retirada militar do Afeganistão, país que invadiram há 20 anos, logo após terem sofrido os ataques terroristas de 11 de Setembro.

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