"Nos anos 80 comprei uma casa de segunda habitação aqui em Setúbal para passar férias e os fins de semana e descobri que esta era uma localidade do mais belo que se pode imaginar. Portanto, foi aqui que decidi adquirir um escritório e depois um outro, porque sou advogada. Assim podia vir cá a meio da semana, não estava satisfeita só com o fim de semana", começa por contar Maria das Dores Meira ao SAPO24.

"Esta era uma cidade que nada tinha que ver com aquilo que é hoje. Por essa altura, a cidade de Setúbal era conhecida pela Bela Vista, pelas coisas más, pela sujidade que a cidade tinha. Apesar de não serem valorizadas, é certo que a Serra da Arrábida e a baía do Sado já cá estavam", graceja.

Além da advocacia, também a vida política já vinha a ser desenhada por Maria das Dores Meira. E desde cedo. "Em 1973, tinha eu 17 anos, já trabalhava, e em 1974 dá-se o 25 de Abril e, imediatamente, ajudei a formar uma comissão de moradores na Cova da Piedade, onde morava, sempre reivindicando melhores condições de vida para as pessoas que ali habitavam. Aderi logo ao MDP/CDE e em janeiro de 1976 aderi ao PCP, onde me encontro ainda hoje", refere a candidata.

Setúbal, a cidade que escolhera por gosto e que a conquistara ao ponto de com ela cruzar a sua atividade profissional, puxou-a também para a política. "Em 2001 alguém descobriu que eu tinha uma grande paixão por Setúbal, exatamente porque tinha cá a tal casa e os escritórios. Já que gostava tanto da cidade, convidaram-me a integrar o coletivo da CDU nas eleições autárquicas desse ano, para a Câmara Municipal de Setúbal. Tive o convite para assumir a responsabilidade dos pelouros da Cultura, Educação, Desporto, Juventude e da Inclusão Social. E foi assim, aceitei", refere.

Até 2006 foi assim. Depois, tudo mudou. "Eu tinha essas responsabilidades [entregues em 2001], a vice-presidência e o gabinete da Saúde e depois deu-se uma substituição: era a segunda na lista, a seguir ao presidente Carlos Sousa, e foi por isso que se deu a mudança [passou a Presidente]", conta a candidata.

Nas eleições autárquicas de outubro deste ano, Maria das Dores Meira terá como opositores Fernando Paulino (PS), Nuno Carvalho (PSD), Ana Clara Birrento (CDS), Sandra Cunha (BE), Luís Teixeira (PAN), Fernando Firmino (PCTP/MRPP) e Sandra Isabel da Encarnação (PTP).

O seu principal adversário deverá ser o vereador socialista Fernando Paulino, nome escolhido pela concelhia socialista, que promete lutar pela reconquista da autarquia que o PS já liderou entre 1987 e 2001.

Nas eleições autárquicas de 2013, a coligação PCP/PEV teve 41,93% dos votos (6 eleitos), o PS 26,41% (4 eleitos) e a coligação PSD/CDS-PP 12,85% (apenas um vereador eleito). As outras forças políticas nunca tiveram representação no executivo camarário setubalense.

Olhando para os últimos anos da Câmara de Setúbal, poderia dizer-se que a candidata ali assentou 'de pedra e cal', atingindo sempre a maioria dos votos. Quanto aos seus rivais, tem uma posição bem definida, conta ao SAPO24.

"Nós não podemos subestimar os outros. Eu respeito os adversários: representam pessoas que têm sensibilidades diferentes da minha. Tenho o maior respeito por eles e pelos partidos que representam. A maioria que eu tenho tido - eu não, a CDU, eu sou simplesmente a cabeça de lista - é sinónimo de um grande trabalho que nós fizemos na transformação de Setúbal. É  sinónimo de uma grande proximidade que temos com a vida das populações, com os problemas das pessoas, com o incentivar à resolução desses problemas com as pessoas a ajudar. É nesse sentido que tudo acontece", explica.

"Não é que eu não tenha rivais, mas quando [candidatos de outros partidos] cá estiveram no município fizeram as piores opções. Não tiveram esta postura, nunca envolveram as pessoas na resolução  das coisas, não estiveram próximos da população e fizeram as opções erradas na requalificação da cidade. Muitos crimes urbanísticos foram aqui efetuados na gestão da cidade, que hoje tentamos colmatar, mas há coisas que não têm resolução.  Foram essas opções que fizeram com que as pessoas mudassem para a CDU. Hoje, a CDU, com a sua forma de estar e de trabalhar, com a sua forma de olhar para a política - porque na política não vale tudo -, com o respeito que temos pelos outros, que levado ao reconhecimento e ao reforço da confiança dos setubalenses em nós", reforça Maria das Dores Meira.

Apesar de não querer tecer comentários específicos quanto aos adversários deste ano, a candidata da CDU deixa uma certeza: ninguém tem feito tanto pela cidade quanto o seu partido.

"São adversários que foram escolhidos pelos seus partidos e eu não me atrevo sequer a fazer comentários. Cada um tem a sua personalidade, a sua forma de estar, o seu caráter. São essas formas de estar - a política que querem para a cidade - que as pessoas bem conhecem, porque no passado já estiveram cá e foi disso que as pessoas não gostaram. Há muita demagogia, muita mentira, uma forma de estar com a qual não me identifico. Mas as pessoas irão julgar isso, é só o que eu tenho a dizer", ressalta.

Quando confrontada com a confiança numa reeleição, a candidata não hesita. "Acredito, acredito mesmo que vou ser reeleita. Achamos que o nosso trabalho esteve de facto ao nível das expetativas da população de Setúbal e de Azeitão. Claro que nem tudo foi feito, falta fazer muita coisa. Numa cidade não está tudo completo, a cidade está sempre em mudança. Mas as freguesias tiveram um avanço enorme de requalificação. Houve um avanço enorme no centro da cidade, o turismo é hoje uma realidade - não havia turismo em Setúbal e hoje é um fator determinante da evolução da cidade, um fator que dá trabalho à população. Assim, a nossa taxa de desemprego é mais baixa do que a média nacional, o que nunca aconteceu antes: era sempre superior à nacional e agora inverteram-se as coisas, o que é para nós motivo de orgulho".

Com o urbanismo e o planeamento e reordenamento do território como um dos objetivos de ação, Meira admite que ainda há muito a fazer. "Acreditamos que as pessoas sabem avaliar tudo o que aconteceu em Setúbal e pedimos desculpa por alguns erros que cometemos. Não há gente perfeita, nem dinheiro para tudo. Mas há muito a fazer! Aguardamos por esta renovação de confiança que acreditamos que irá acontecer", refere.

Quanto a planos concretos, existem muitos. "Ainda falta acabar de reabilitar a zona ribeirinha, fazer uma nova marina, construir o parque da várzea para resolver a questão das cheias, e esta é uma obra que vai começar já. Vamos fazer baías de retenção, que são pequenos lagos, para resolver as cheias e à volta disso vai aparecer um grande parque", começa por contar.

"Vamos também reabilitar a nossa joia da coroa, o nosso Convento de Jesus. Já fizemos parte dessa reabilitação, mas estamos a falar de um edifício que é pertença do Estado central e uma coisa que o Estado não resolveu. Foi a câmara, com os impostos dos munícipes de Setúbal, que pagou a reabilitação da primeira parte do edifício. Agora vamos fazer a segunda parte. Há também que tratar dos caneiros, que estão muito velhos, e tratar do saneamento que às vezes vai indevidamente para o Sado", aponta.

E não fica por aqui. Com a certeza que a população precisa de melhores condições e já a pensar nas gerações futuras, a renovação a nível escolar também é um objetivo da candidata. "Falta-nos construir uma escola para termos todas as nossas crianças numa estabelecimento de ensino a tempo inteiro.

Quando aqui chegámos, em 2001, tínhamos cerca de 6000 crianças que estavam numa escola em tempo parcial, ou seja, só tinham escola em metade do dia. Hoje já só falta resolver o caso de 200 e tal crianças para que todos tenham por igual uma escola a tempo inteiro. Também construímos escolas e pré-escolares, reabilitámos outras tantas escolas. Daqui a uns tempos gostaria de dizer que em Setúbal não há ninguém com escola a meio tempo", refere Maria das Dores Meira.

E se a beleza da paisagem de Setúbal é inegável, também a história ali marca presença, mas sempre aliada com a modernidade."Falta-nos também continuar com este trabalho de reabilitação do centro histórico, porque temos um dos mais bonitos do país, mas sempre com uma grande ligação aos investidores, que é outro setor que temos vindo a privilegiar, com parcerias com o nosso tecido empresarial e captação de mais investimento e competitividade, para que Setúbal deixe de ter um desemprego a 8.1 e que este problema seja revolvido. Até lá temos de trabalhar muito, mas quando chegar esse dia, vamos ficar mesmo muito felizes", diz com orgulho.

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