“Se conseguíssemos recrutar 20 a 30 pessoas era positivo”, disse à Lusa João Antunes o representante em Portugal da organização internacional, Nobel da paz em 1999.

A abertura do escritório permanente da MSF, inaugurado na semana passada em Lisboa, centra-se sobretudo no recrutamento de profissionais para as ações humanitárias.

“A MSF, a nível da presença humanitária, está em 72 países, com 450 projetos. Mas a maioria dos recursos humanos e financeiros não vem dos países onde estamos a operar”, disse João Antunes, justificando a abertura do escritório em Lisboa com a convicção de que Portugal pode fornecer meios para essas missões.

A organização, frisou, não precisa apenas de médicos. Na verdade, os profissionais de saúde, sejam médicos, enfermeiros, técnicos de laboratório ou outros, representam 52% do total de trabalhadores, sendo também necessários para as missões, exemplificou, especialistas em controlo de infeções, em telecomunicações, em energia ou em frotas.

A MSF tem cerca de 40 mil trabalhadores, dos quais 80 portugueses, mas segundo o responsável o número é baixo comparado com outros países com características idênticas a Portugal.

É por isso que o objetivo da MSF em Portugal é ampliar a rede de profissionais. E se a organização paga missões, da viagem ao alojamento, também faz um contrato de trabalho. João Antunes diz que “ninguém vai enriquecer com um salário da MSF”, mas admite que sendo a escala salarial a nível europeu acaba por ser “simpática” para um português.

Com profissionais de dezenas de países, diz João Antunes que os portugueses são dos que mais tempo permanecem ligados à organização, além de que também é importante a ligação de Portugal a países africanos de língua oficial portuguesa, nomeadamente Guiné-Bissau, Angola e Moçambique, onde a MSF está presente.

“É um fator extra que nos faz querer estar em Portugal”, disse.

Num comunicado onde dá conta da abertura do escritório nacional a MSF diz que está particularmente interessada no recrutamento de profissionais na área da saúde, administração e logística, para integrarem equipas de projetos em diversos países. As missões, ressalvou João Antunes nas declarações à Lusa, são sempre discutidas com as pessoas e não são impostas.

Além desse recrutamento a organização, diz no comunicado, vai também estar mais próxima da população através de notícias, reportagens, exposições e conferências.

Criada em 1971 por médicos e jornalistas, a MSF é uma organização não-governamental de ajuda médica e humanitária, apoiando populações afetadas por guerras, desastres naturais, epidemias, desnutrição ou exclusão no acesso à saúde.

Em 2017 fez mais de 10 milhões de consultas ambulatórias e assistiu mais de 749 mil doentes hospitalizados. Os mais de 45 mil profissionais trataram 2,5 milhões de pessoas com malária e 81.300 crianças com desnutrição grave.

Segundo os dados da organização foi também o ano em que se fizeram 288.900 partos e 110 mil cirurgias, tendo quase 19 mil pessoas recebido tratamento médico devido a violência sexual e outras 300 mil sido atendidas na área da saúde mental. E ainda houve 23.900 refugiados, requerentes de asilo e migrantes resgatados e assistidos no mar.

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