A manifestação vai exigir "justiça e verdade" no caso Adama Traoré, que morreu sob custódia policial no departamento de Val d'Oise, a cerca de 40 quilómetros de Paris, desencadeando vários dias de distúrbios na região.

Já no passado dia 03 de junho, a capital francesa recebeu uma manifestação contra o racismo e a violência policial que degenerou em confrontos com a polícia e levou, durante a madrugada, à detenção de 18 pessoas.

Nessa ocasião, cerca de 20.000 pessoas juntaram-se frente ao Palácio da Justiça de Paris em protesto, depois da divulgação de um novo relatório forense que atribui a morte do jovem negro Adama Traoré, em 2016, à violência policial.

A manifestação começou por decorrer pacificamente, mas acabou por ser dispersada pela polícia, que recorreu a gás lacrimogéneo e cargas sobre os manifestantes, depois de alguns dos participantes terem lançado pedras e garrafas contra a polícia e vandalizado mobiliário urbano.

O protesto foi convocado nas redes sociais por familiares e amigos de Adama Traoré, no dia em que foi divulgada uma perícia independente à morte do jovem de 24 anos.

Um relatório independente sobre a sua autópsia mostrou que, ao contrário do que tinha sido anunciado inicialmente, o jovem morreu devido a uma placagem da polícia aquando a sua detenção, levando a que o processo interposto pela sua família contra as autoridades tenha tido novos desenvolvimentos, com a audição de novas testemunhas.

O relatório oficial concluiu que Traoré morreu de falha cardíaca, “provavelmente” devida a problemas de saúde preexistentes.

Adama Traoré, francês de origem maliana, morreu a 19 de julho de 2016 depois de ter sido perseguido por três polícias. Morreu duas horas depois de ter sido detido no dia em que completava 24 anos.

Tudo terá começado às 17 horas desse dia quando Traoré  e o irmão Bagui estavam numa zona de  bares em Beaumont-sur-Oise, nos arredores de Paris. Segundo os relatos, um carro da polícia terá parado junto ao local onde se encontravam  com o objetivo de prender Bagui Traoré, que estaria a ser alvo de uma investigação por "extorsão". Dois polícias da Nationale Gendarmerie terão saído do carro e prendido os dois irmãos para "uma verificação de identidade". Bagui, o visado, terá permanecido "calmo" segundo a polícia,  Adama terá fugido -  de acordo com sua família, porque não tinha os documentos de identidade com ele. É essa fuga que gera a perseguição policial e que acaba por culminar na detenção de Adama.

A autópsia inicial não encontrou provas de violência e apontou como causa de morte um síndrome pré-existente e uma infeção. A família de Traoré pediu uma segunda autópsia que não encontrou qualquer evidência de infeção e apontou asfixia como causa da morte. A irmã de Adama, Assa (na fotografia que ilustra este artigo), tem liderado os protestos sobre as causas da sua morte e tornou-se uma ativista anti-racista em Fança

Quatro anos depois, a investigação judicial continua e as duas versões opostas mantém-se. Com a morte de George Floyd, nos Estados Unidos, o caso voltou a estar em destaque em França e hoje leva às ruas uma nova manifestação.

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