A Rússia anunciou este sábado que vai suspender o acordo sobre as exportações de cereais dos portos ucranianos sob o pretexto do ataque de 'drone' a navios na Crimeia anexada.

“Em vista do ato terrorista realizado pelo regime de Kiev com a participação de especialistas britânicos contra navios da Frota do Mar Negro e navios civis envolvidos na segurança dos corredores de cereais, a Rússia suspende a sua participação na implementação do acordo sobre a exportação de produtos agrícolas dos portos ucranianos”, anunciou o Ministério russo da Defesa na rede social Telegram.

Em resposta, a Organização das Nações Unidas anunciou estar a envidar esforços para preservar o acordo.

“É vital que todas as partes se abstenham de qualquer ação que coloque em risco o Acordo de Cereais do Mar Negro”, disse, em comunicado, o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, enfatizando que o acordo teve um “impacto positivo” no acesso a alimentos para milhões de pessoas em todo o mundo.

Já a Ucrânia acusou a Rússia do “falso pretexto” do ataque na Crimeia para justificar a suspensão do acordo, pressionando Moscovo para que “respeite as suas obrigações”.

“Moscovo está a usar um falso pretexto para bloquear o corredor de grãos que fornece segurança alimentar para milhões de pessoas. Apelo a todos os estados para exigir que a Rússia encerre os seus jogos da fome e se comprometa novamente a cumprir as suas obrigações”, disse o ministro ucraniano das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, na rede social Twitter.

O Reino Unido também reagiu, denunciando as “falsas informações” destinadas a “desviar a atenção”.

A Turquia “não foi oficialmente notificada” pela Rússia da suspensão do acordo, disse uma fonte de segurança daquele país, que supervisiona as exportações a partir de um centro de coordenação conjunta instalado na capital turca.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos da América acusaram a Rússia de "transformar os alimentos em armas". "A Rússia está novamente a testar usar a guerra que começou como um pretexto para transformar os alimentos em armas, impactando diretamente as nações necessitadas e os preços mundiais dos alimentos, e exacerbando as crises humanitárias e a insegurança alimentar que já são graves", disse a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Adrienne Watson, em comunicado.

O acordo de cereais, concluído em julho sob a égide da ONU e da Turquia, permitiu a exportação de vários milhões de toneladas de cereais retidos nos portos ucranianos desde o início do conflito em fevereiro, o que fez com que os preços dos alimentos disparassem, aumentando o medo da fome.

O presidente russo, Vladimir Putin, aumentou as críticas ao acordo nas últimas semanas, apontando que as exportações da Rússia, outro grande produtor de cereais, estavam a ser prejudicadas pelas sanções.

Moscovo justificou a suspensão com o ataque de ‘drones’ que hoje teve como alvo navios militares e civis da Frota Russa do Mar Negro estacionados na baía de Sebastopol, na Crimeia anexada.

A Crimeia, anexada em março de 2014 pela Rússia após uma intervenção das suas forças especiais e de um referendo denunciado por Kiev e pelo Ocidente, serve como quartel-general desta frota e como base logística de retaguarda para a ofensiva russa na Ucrânia.

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