"Devemos estar agradecidos ao atual Presidente da República que, em pouco tempo, conseguiu revitalizar a função presidencial, devolvendo-lhe a sua importância, sobretudo na relação com os cidadãos", disse Sampaio da Nóvoa, em Lisboa, onde o antigo reitor fez o balanço de um ano após as eleições presidenciais de 24 de janeiro.

Depois, o antigo candidato a Belém definiu como "muito positivo" haver um Presidente "presente, próximo" das pessoas, embora este não possa "nunca" confundir "a sua intervenção com funções governativas".

"O Presidente deve reservar para si a última palavra, sem se imiscuir em todos os casos e situações do dia-a-dia", considerou.

Instado pelos jornalistas a desenvolver este comentário, Nóvoa não entrou em grande detalhe nem falou diretamente de Marcelo Rebelo de Sousa, mas sustentou que a "reserva da palavra" é o que garante ao Presidente a "legitimidade para na altura certa encontrar alternativas e soluções".

De todo o modo, prosseguiu, o atual chefe de Estado tem sido importante na "estabilidade política" do país, e a independência de Marcelo deve fazer-se sentir, advertiu, num "tratamento igual para todas as partes do espetro político português", do Governo à oposição.

"Passou um ano sobre as presidenciais. Mas agora há novas eleições. Podemos, e devemos, renovar o nosso compromisso com a democracia, mobilizando-nos nas próximas eleições autárquicas. É no poder local, no governo das cidades, na proximidade de decisão, que se joga grande parte do nosso futuro", disse.

Na sua intervenção, o outrora candidato pediu ainda para que sejam revistas as leis eleitorais que, vincou, "dificultam as candidaturas independentes para a Presidência da República e para as autarquias", quando Portugal precisa "justamente do contrário, de aproximar as pessoas da política, chamar mais pessoas à política".

Sampaio da Nóvoa concorreu em 2016 a Presidente da República, numa candidatura independente que teve em Pedro Delgado Alves, membro da Comissão Nacional e deputado do PS, o diretor de campanha.

Correia de Campos, atual presidente do Conselho Económico e Social (CES), foi o mandatário nacional da candidatura do antigo reitor da Universidade de Lisboa.

Nóvoa obteve 22,88% dos votos no sufrágio de janeiro de 2016, não tendo conseguido impedir a eleição à primeira volta do atual chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa.

Hoje, o antigo candidato apresentou também uma série de entidades que vão receber dinheiro que sobrou da angariação de fundos para a campanha eleitoral, numa fase em que estão já cumpridas todas as obrigações legais e prestação de contas junto do Tribunal Constitucional.

No total, serão distribuídos cerca de 61 mil euros por 17 instituições ou associações sociais e educativas.

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