“Sê um homem” (“#kounrajel”, no original) são as palavras-chave usadas nas redes sociais por aqueles que defendem que os homens devem garantir que as mulheres à sua volta não usam fato de banho ou biquíni na praia, noticia o site Morocco World News. O movimento online está a ganhar dimensão desde o início de julho.

Como reação, um grupo de ativistas lançou uma petição que apela a que o Governo marroquino e os líderes dos partidos políticos intervenham e se manifestem contra a campanha que põe em causa a liberdade das mulheres.

Os signatários “requerem a aplicação da lei e a retirada do hashtag #kounrajel das redes sociais, em virtude do respeito pela igualdade instituída pela Constituição de 2011” e “considerando que o conteúdo misógino é contrário aos direitos fundamentais”, pode ler-se no texto da petição.

A Constituição marroquina garante que “homens e mulheres gozam de iguais direitos, liberdades civis, políticas, económicas, sociais, culturais e ambientais”, relembra o abaixo-assinado.

Na petição, é ainda sublinhado o facto de o rei Mohammed VI ter iniciado um “modelo de desenvolvimento humano” no sentido da “redução das desigualdades e disparidades de todos os tipos”.

A petição ambiciona reunir cinco mil assinaturas, contando, no momento, com mais de dois mil signatários.

“Sê uma mulher livre”

Ao longo do mês de julho, têm vindo a surgir outras reações de oposição à campanha "Sê um homem". Betty Lachgar, a porta-voz do Movimento Alternativo pelas Liberdades Individuais (Mali), lançou um movimento a que chamou “Sê uma mulher livre”, por contraponto ao nome da campanha inicial.

Segundo o El País-Brasil, Lachgar está consciente de que a contracampanha não vai mudar a sociedade, mas a ativista marroquina recusa-se a ficar parada.

“O importante é que as mulheres ajam com liberdade e não sob a dominação do patriarcado. Não se trata da roupa, mas do corpo. Queremos que os homens parem de controlar nossos corpos”, afirma à publicação a defensora dos direitos humanos e das mulheres.

Betty Lachgar, também psicológa clínica e criminologista, é considerada uma das mais fortes ativistas marroquinas e já foi responsável por promover iniciativas que desafiam algumas tradições mais conservadoras do país - realizou, por exemplo, um piquenique durante o Ramadão. Em declarações ao El Faro Melilla, Lachgar afirmou ter sido considerada, a dado momento, "a rapariga mais odiada de Marrocos", estando na lista negra do Estado Islâmico.

O El País-Brasil recorda que a violência contra as mulheres continua a ser uma realidade com muita expressão em Marrocos, com base numa sondagem da ONU Mulheres de 2016. De acordo com o estudo, 38% dos homens acreditam que as mulheres merecem ser agredidas às vezes e 62,8% das mulheres declaram já ter sofrido algum ato de violência.

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