"Portugal Amordaçado" (“Le Portugal Baillonné”, no título em francês), escrito durante o período do Estado Novo e que só foi publicado em Portugal depois do 25 de Abril, em finais de 1974, ficará como uma das suas obras de referência.

A obra, publicada pelo editor francês Calmann-Lévy, em 1972, foi traduzida depois em inglês, italiano, alemão, espanhol, grego e chinês.

Membro da antiga Sociedade Portuguesa de Escritores, Soares colaborou também como publicista em jornais e revistas (nacionais e estrangeiros) e em diversas obras coletivas, antes da Revolução de Abril, com destaque para títulos como Seara Nova, O Tempo e o Modo, Jornal do Foro, República, "Dicionário de História de Portugal", Ibéria e Nueva Sociedad.

Na bibliografia disponibilizada na página da Internet da Fundação Mário Soares, constam os títulos de mais de 50 obras do ex-primeiro-ministro e ex-Presidente português.

Os primeiros títulos remontam à década de 1950, como é o exemplo da obra "As ideias Político-Sociais de Teófilo Braga" (Centro Bibliográfico, 1950).

Depois as obras de Soares percorrem as décadas seguintes, como é o caso de “Escritos Políticos" (quatro edições do autor, 1969), "Escritos do Exílio" (Bertrand, 1975), "Democratização e Descolonização" (D. Quixote, 1975), "O Socialismo e a Liberdade" (Rio Grande do Sul, 1981), "A Árvore e a Floresta" (P&R, 1985) e "Mário Soares e Fernando Henrique Cardoso. O Mundo em Português – um diálogo" (obra editada no Brasil e Portugal, em 1998, e depois traduzida em espanhol e romeno).

Entre as mais recentes constam os textos que publicou em jornais (nacionais como o Diário de Notícias e internacionais como o El Pais) e reuniu em vários livros.

"Um Mundo Inquietante" (Círculo de Leitores, 2003), "Um Mundo em Mudança" (Círculo de Leitores, 2009), "Em luta por um Mundo melhor" (Circulo de Leitores, 2010), “Um Político Assume-se” (2011) e “Crónica de um Tempo Difícil” (2012).

Enquanto Presidente da República, reuniu em livro os seus principais discursos e intervenções públicas: "Intervenções I" (1987), "Intervenções II" (1988), "Intervenções III" (1989), "Intervenções IV" (1990), Intervenções V" (1991), "Intervenções VI" (1992), "Intervenções VII" (1993), "Intervenções VIII" (1994), "Intervenções IX" (1995) e "Intervenções X" (1996).

Também colaborou em várias obras. “O Presidente" (Público e Círculo de Leitores, 1997), entrevistas da jornalista Maria João Avillez, reunidas em três volumes, é um exemplo entre muitos.

Mário Soares morreu hoje, aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde estava internado há 26 dias, desde 13 de dezembro.

O Governo decretou três dias de luto nacional, a partir de segunda-feira.

Soares desempenhou os mais altos cargos no país e a sua vida confunde-se com a própria história da democracia portuguesa: combateu a ditadura, foi fundador do PS e Presidente da República.

Nascido a 07 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares foi fundador e primeiro líder do PS, e ministro dos Negócios Estrangeiros após a revolução do 25 de Abril de 1974.

Primeiro-ministro entre 1976 e 1978 e entre 1983 e 1985, foi Soares a pedir a adesão à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e a assinar o respetivo tratado, em 1985. Em 1986, ganhou as eleições presidenciais e foi Presidente da República durante dois mandatos, até 1996.

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