Se José Mourinho fosse um ponta-de-lança, teria uma eficácia de 100%. O treinador português, em duas oportunidades para conquistar títulos ao serviço do Manchester United, conseguiu levantar sempre os troféus em questão. Primeiro, no início da época, a FA Community Shield - Supertaça Inglesa -, e agora a EFL Cup, a Taça da Liga inglesa.

O ‘Special One’ torna-se assim no primeiro técnico a conquistar o troféu por dois clubes diferentes (Chelsea e Manchester United) e alcança o topo: ninguém tem mais EFL Cups do que ele, 4 no total. E apenas os históricos Brian Clough e Alex Ferguson o igualam, com o mesmo número de vitórias na competição.

Além disso, fez história noutro âmbito: é o primeiro treinador nos 139 anos de história do Manchester United a vencer um troféu (sem contar com a Supertaça) na época de estreia.

A travessia no deserto sob o olhar atento de Sir Alex Ferguson

A vitória desta tarde sobre o Southampton (3-2) foi vista e celebrada de perto por um dos históricos dos Red Devils: Sir Alex Ferguson, o escocês que comandou as tropas de Old Trafford durante 26 anos, sorriu com o segundo feito de Mourinho na sua temporada de estreia no banco que foi seu durante mais de duas décadas.

Ao mesmo tempo, Ferguson parece ter-se tornado numa espécie de amuleto do treinador português, uma espécie de bússola com uma só direção, a vitória.

No final de 2016, em dezembro, Mourinho convidou Sir Alex Ferguson para regressar a Carrington, o complexo de treinos do Manchester United, para que os jogadores pudessem ver o de perto o 'big man' que conquistou 38 títulos ao leme dos diabos vermelhos.

“Trouxe-o de volta para estar com a sua gente. Quis que os jogadores o vissem e quis partilhar uns minutos com ele durante um almoço. Eu gostei e ele gostou", disse na altura José Mourinho, em entrevista à United We Stand.

E as portas ficaram abertas: “Temos uma boa relação e sei que esta é a sua casa. E quando quiser vir até aqui, ao balneário ou simplesmente para ver os jogadores treinar, ele sabe que é bem-vindo", concluiu.

À frente de todas as frentes possíveis

A realidade é que o erguer da Taça da Liga é o materializar da viragem que o Manchester United fez ao longo da época. Após um início abençoada pela conquista da Supertaça com uma vitória por 3-0 diante do Leicester, campeão inglês, os Red Devils fizeram um trajeto inconsistente.

Jogadores-chave não estavam a dar o rendimento habitual à equipa - Pogba era o eco maior desta crise exibicional - e, lentamente, o Manchester United afastou-se do título. Segundo Mourinho, esse nunca terá sido o objetivo. O United de 2016/17 queria regressar à Liga dos Campeões, mas até esse objetivo parece, agora, ainda distante.

Com o decorrer da época, contudo, o balneário harmonizou-se e as ideias do treinador português começaram a ganhar forma dentro de campo. Pequenos gestos como o convite a Ferguson e a reintegração de Bastian Schweinsteiger no plantel principal (depois de meses a fio a treinar com as reservas) parecem ter unido da equipa e aproximado o técnico dos adeptos. A par disso, Pogba explodiu, Baily tornou-se numa peça central da defesa, Mkhitaryan tornou-se no desiquilibrador de serviço e Zlatan fez aquilo que ele tão bem sabe fazer: marcas golos e decidir jogos, tal como o de hoje.

Embalado pelas vitórias consecutivas no mês de dezembro, o Manchester United deu início a uma recuperação de grande nível. Para além de terem vencido a Taça da Liga, alcançaram os quartos-de-final da Taça de Inglaterra - onde irão defrontar o Chelsea -, chegaram aos oitavos-de-final da Liga Europa - onde se tornaram no principal favorito a levantar o troféu - e apesar  de se encontrar em 6.º lugar na Premier League, estão a apenas dois pontos dos lugares dão acesso à Liga dos Campeões da próxima época.

Um United que parecia desfalcado e pouco entrosado no início da época, chega ao final do mês de fevereiro em todas as frentes em que iniciou a temporada, e já com dois títulos "no bolso".

Mas a frente mais aliciante é, sem dúvida, a Liga Europa. Na segunda principal competição europeia de clubes, o Manchester United pode abrir um novo capítulo da sua história, uma vez que nunca conquistaram a competição, e podem obter um passe direto de acesso à Liga dos Campeões.

Os próximos tempos afiguram-se complicados, com muitos jogos em pouco tempo. No entanto, Mourinho já deu a entender que conta com todos os jogadores. Dos mais novos aos mais velhos, dos mais experientes aos novatos nos grandes palcos, o português tem procurado promover jovens e cruzá-los com jogadores de alto gabarito, o que tem resultado num plantel alargado e rico em soluções.

Será cedo para dizer “José is back”, ou o mais difícil está para vir?

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