LeBron James, Kawhi Leonard, Kevin Durant, Stephen Curry, James Harden, Anthony Davis, Damian Lillard, Kyrie Irving, Klay Thompson, Bradley Beal, DeMar DeRozan e Kevin Love. Podia ser a lista dos 12 convocados dos Estados Unidos para o Mundial, mas é a lista de (alguns dos) jogadores que declinaram o convite para representar a seleção norte-americana ou que, por lesão, não podem representar a mesma no torneio que arranca amanhã na China.

O que torna a resposta à maior questão que se coloca antes de qualquer grande competição internacional de basquetebol sénior masculino - “Conseguirá alguém ganhar aos Estados Unidos?” - mais incerta que habitualmente.

A história dos Estados Unidos nas competições internacionais de basquetebol é uma de domínio. São a seleção com mais títulos mundiais (5, ex-aequo com a ex-Jugoslávia) e mais títulos olímpicos (16; e nunca ficaram fora das medalhas).

Um domínio que só não é maior porque ora não levavam os melhores jogadores (até aos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, só levavam jogadores amadores - atletas universitários e/ou que não pertencessem à NBA), ora não levavam o Campeonato do Mundo tão a sério como outras nações (para os americanos, os Jogos Olímpicos foram sempre a competição mais importante).

As únicas ocasiões em que uma seleção dos Estados Unidos com as (ou algumas das) principais estrelas da NBA foi derrotada foram os Jogos Olímpicos de 2004 (derrotados nas meias-finais pela Argentina e ficaram-se pela medalha de bronze) e o Mundial de 2006 (derrotados, de novo nas meias-finais, pela Grécia e ficaram, mais uma vez, em terceiro). As exceções ao domínio internacional devem-se, portanto, e quase sempre, a circunstâncias muito particulares.

O Dream Team de 92 teve também a consequência de aumentar a popularidade da modalidade e inspirar gerações de miúdos por todo o planeta. E, desde então, o resto do Mundo reduziu esse fosso para os Estados Unidos. Portanto, aquilo que, primeiro, aumentou o domínio dos EUA fez também o mundo aproximar-se. 

Mas continuam a ser os grandes favoritos em qualquer competição que entrem. Quando levam os melhores jogadores e levam a competição a sério, são, de longe, os maiores candidatos ao título. Só circunstâncias extraordinárias lhes retiram esse estatuto. Como as deste ano.

Para este Mundial de 2019, algumas das principais estrelas americanas disseram “passo”. E algumas das segundas figuras também. Deixando a missão de tentar alcançar o lugar mais alto do pódio para uma terceira linha de atletas da NBA. Kemba Walker e Khris Middleton são os únicos jogadores no plantel que foram All Star na passada temporada (Brook Lopez é o outro jogador com uma presença no Jogo All Star no currículo, mas em 2013).

Na sessão de apresentação da equipa, Jerry Colangelo, o responsável pelos destinos da USA Basketball, reconheceu que “as pessoas sentem que podemos ser vulneráveis. Isso deve dar-nos ainda mais incentivo para ir e cumprir o objetivo. Vários jogadores têm uma oportunidade de deixar a sua marca.” É essa, portanto, a missão de jovens como Jayson Tatum, Donovan Mitchell, Marcus Smart, Jaylen Brown, Myles Turner ou Derrick White.

De primeira linha é a equipa técnica. O lendário treinador dos San Antonio Spurs, Gregg Popovich, sucede a Mike Krzyzewski e comanda a equipa pela primeira vez numa competição internacional, com Steve Kerr (treinador dos Golden State Warriors) e Lloyd Pierce (treinador dos Atlanta Hawks), como adjuntos.

Mas a porta está aberta a outras seleções. E este pode ser o Campeonato mais disputado dos últimos anos. Uma seleção C dos EUA pode continuar a ser a principal favorita à vitória, mas não são favas contadas.

E há seleções à espreita. Seleções como:

Sérvia

É um dos países que aposta forte neste Mundial e leva a artilharia toda. Ou vá, praticamente toda, pois perderam Milos Teodosic e Dragan Milosavljevic por lesão. Mas, tirando esse percalço, os sérvios levam todos os seus jogadores que alinham na NBA (Nikola Jokic, Bogdan Bogdanovic, Nemanja Bjelica e Boban Marjanovic) e mais uma mão cheia de talentos da Euroliga (Micic, Guduric, Milutinovic, Raduljica e Simonovic), e vão para lutar pelo título.

Grécia

“Trocava o troféu de MVP pela medalha de ouro no Mundial.“ Com estas palavras, o atual MVP da NBA, Giannis Antetokounmpo, já mostrou ao que vem e vai tentar coroar uma temporada de sonho na liga norte-americana com um grande resultado no Mundial. Nos seus ombros repousam as esperanças helénicas, apoiado por nomes experientes como Nick Calathes, Kostas Sloukas, Yannis Bourousis, Georgios Printezis e Kostas Papanikolaou.

Giannis Antetokounmpo
créditos: Gregory Shamus/Getty Images/AFP

Espanha

Os “nuestros hermanos” são orgulhosos de representar a sua seleção e têm tradição de não passarem a oportunidade de representar a seleção. Este ano Nikola Mirotic e Serge Ibaka foram a exceção e passaram, mas são uma das mais profundas seleções da Europa e continuam a ser uma dos maiores candidatos a bater o pé aos EUA. Numa seleção que conta com Marc Gasol, Ricky Rubio, Rudy Fernandez, Sergio Llull ou os manos Hernangomez não podia ser de outra forma.

França

A seguir aos EUA, são a seleção com mais jogadores na NBA: 6 (Rudy Gobert, Nicolas Batum, Evan Fournier, Frank Ntilikina, Vincent Poirier e Elie Okobo). Contam nas suas fileiras com o Defensor do Ano da NBA (Gobert) e, com vários jogadores em ligas europeias de topo (principalmente na liga espanhola) a juntar ao contingente americano, são provavelmente a seleção mais profunda deste lote. Em 2014 terminaram no pódio, este ano vão para o assalto do título.

Logo a seguir, a tentar uma surpresa temos:

Austrália

Mesmo sem a sua maior estrela, Ben Simmons, os Aussies levam vários outros nomes de relevo, como Andrew Bogut, Patty Mills, Joe Ingles, Aaron Baynes ou Matthew Dellavedova. Venceram recentemente, num dos jogos de preparação, a seleção americana e elevaram as expectativas para o certame.

Patty Mills
créditos: Tom Pennington/Getty Images/AFP

Brasil

Se olharmos para alguns dos nomes, impressiona (Leandro Barbosa, Anderson Varejão ou Marcelinho Huertas). Se olharmos para as idades, nem tanto. O veterano plantel brasileiro reúne muita experiência, mas também já nos habituaram a ficar uns furos abaixo do esperado nestes momentos. Mas o talento e o potencial está lá. Àqueles veteranos juntam-se jovens como Cristiano Felício, Augusto Lima ou Bruno Caboclo e, num dia bom, podem ser um osso duro de roer para qualquer seleção do Mundo.

Nigéria

O caminho até ao Mundial não foi fácil e, devido a problemas financeiros da federação nigeriana, estiveram quase a não viajar para a China (só chegaram a solo chinês esta passada terça-feira), mas apresentam um plantel com nomes como Al-Farouq Aminu, Josh Okogie, Ekpe Udoh, Ike Diogu, Stan Okoye ou Chimezie Metu. São, atualmente, a melhor seleção africana e querem fazer uma gracinha neste Mundial.

Alemanha

A geração pós-Nowitzki tem muitos bons talentos e todos marcam presença: Dennis Schroder, Maximilian Kleber, Paul Zipser, Johannes Voigtmann, Daniel Theis e Isaac Bonga. Dos 12 convocados, 11 têm menos de 30 anos (o 12.º, o capitão Robin Benzig tem 30). Esta geração quer estabelecer-se na elite mundial e lá ficar por muitos anos.

As ausências

Por último, para terminarmos como começámos, há ainda mais duas referências no capítulo de ausências que marcam este Mundial:

À semelhança dos EUA, a outra seleção norte-americana, o Canadá, também tem muitas das estrelas ausentes (Andrew Wiggins, Jamal Murray, Tristan Thompson, Kelly Olynyk, RJ Barrett, Shai Gilgeous-Alexander ou Trey Lyles) e leva uma seleção B. Só que, ao contrário dos EUA, a segunda seleção (com alguns nomes da primeira) não chega para ser candidata.

E não podemos terminar sem falar da grande ausente: a Eslovénia. A atual campeã europeia não conseguiu ultrapassar os problemas que as novas regras de apuramento criaram para as seleções que contam com atletas na NBA: a FIBA fez alterações nas janelas de apuramento, com dois terços dos jogos a decorrerem agora durante a temporada da liga norte-americana, o que impede os jogadores que lá alinham de participar nessas partidas.

Para seleções como Espanha, França, Grécia ou Sérvia, os jogadores que alinham na Europa foram suficientes para disputar essa fase e conseguir o apuramento. Mas para a pequena Eslovénia, não poder contar com Luka Doncic e Goran Dragic na fase de qualificação foi fatal e não conseguiram um lugar neste torneio.

Mas, como se costuma dizer, contam os que cá estão. E este Mundial é uma oportunidade para o resto do mundo. Alguém a agarrará? Alguém ganhará aos Estados Unidos?

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