Depois de ter tido um papel decisivo na elaboração do Plano Estratégico e da recapitalização do banco estatal, António Domingues ‘bateu com a porta’ em novembro à liderança da CGD, apenas quatro meses depois de ter assumido oficialmente o cargo, uma renúncia consumada no final do ano passado.

Entretanto, aguarda-se ‘luz verde’ do banco Central Europeu (BCE) à nova administração da CGD, que vai ter Rui Vilar como ‘chairman’ e Paulo Macedo como presidente executivo.

Durante os meses em que esteve no comando do banco público, Domingues teve que lidar com várias polémicas, desde logo as acusações de que teria tido acesso a informações privilegiadas da CGD quando ainda era administrador do rival privado banco BPI.

Seguiu-se a questão relativa à entrega das declarações de rendimentos que envolveu a administração liderada por António Domingues que fez correr muita tinta em torno da equipa de gestão do banco, com vários administradores a renunciarem aos cargos e com o Governo a convidar Paulo Macedo, antigo ministro da Saúde do Governo Passos Coelho, para assumir a presidência da CGD.

Face à evolução dos acontecimentos, os partidos da oposição mostraram o desejo de ouvir Centeno e Domingues no parlamento no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão da CGD, que está em curso.

Porém, os partidos que apoiam o Governo de António Costa não aprovaram essas audições, pelo que ambos os responsáveis foram chamados à Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa (COFMA).

Domingues compareceu no início do mês perante os deputados que integram a COFMA, tendo dito na ocasião que decidiu demitir-se do banco porque a maior parte da sua equipa o fez e entendeu não ter condições para gerir, depois do debate que se gerou.

“O que fez com que me tivesse demitido? Muito simples, eu ia ficar sem equipa. Dos 11 membros do Conselho de Administração demitiram-se sete e, se considerar o Conselho Fiscal, em 15 demitiram-se nove. Eu sem equipa teria dificuldade em gerir a Caixa”, afirmou na audição que decorreu a 04 de janeiro.

Domingues disse ainda que poderiam questioná-lo porque não escolheu uma nova equipa, continuando à frente da instituição, respondendo então que a forma como o debate em torno da CGD e da sua equipa foi conduzido não lhe dava condições para se manter no cargo.

“Uma das primeiras responsabilidades do gestor de uma empresa é saber se tem condições para a gerir e eu, no meu melhor juízo, entendi que não tinha condições para o fazer”, considerou.

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