Contactado pela Lusa, Artur Marques, advogado do empresário, disse que vai recorrer da decisão, por “discordar da solução jurídica adotada e considerar que os factos provados são favoráveis” ao seu cliente.

De acordo com a sentença, de 05 de dezembro, em 2015 o dono da Bragaparques avançou para tribunal contra o banco, alegando que, a título particular, tinha aplicado 2,7 milhões de euros no Banque Privée Espírito Santo, quis movimentar o dinheiro e transferi-lo para a sua conta no Banco Espírito Santo (BES), mas tal não aconteceu.

Por isso, alega, foi levado pelo administrador do BES José Manuel Espírito Santo a contrair um empréstimo nesse valor, sem que fosse essa a sua intenção, recusando-se por isso a pagá-lo.

Por seu lado, o BES - que tal como Banque Privée pertence ao grupo Espírito Santo – argumenta que, apesar de terem os mesmos administradores, os dois bancos "não tinham qualquer relação de grupo" e que o empresário tinha que exigir os fundos ao Banque Privée.

A instituição financeira alega que Domingos Névoa sabia que lhe estava a ser concedido um financiamento pelo BES.

No processo cível, o Tribunal veio a provar que o empresário recebeu os 2,7 milhões de euros na conta do BES e que aceitou que fosse o BES a antecipar o dinheiro, por via de um empréstimo a 90 dias, o qual ficaria liquidado mal o Banque Privée efetuasse a transferência, o que não ocorreu.

O tribunal provou também que a "complexa trama de relações societárias e empresariais em que estavam inseridos os bancos era administrada e gerida por membros da família Espírito Santo, designadamente Ricardo Salgado e José Manuel Espírito Santo”, e que a aplicação de Domingos Névoa no Banque Privée resultou de "contactos pessoais" entre ele e os administradores de ambos os bancos.

Não ficou provado que o BES era parte nas obrigações contraídas pelo Banque Privée Espírito Santo, nem que tivesse assumido a responsabilidade pela concretização da transferência dos 2,7 milhões de euros do banco com sede na Suíça.

Em setembro de 2015, o Banco de Portugal revogou a autorização da sucursal em Portugal do Banque Privée Espírito Santo, que pertencia ao grupo Espírito Santo.

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