"Portugal é porta de entrada para a Europa e oceano Atlântico. A cooperação pode ser reforçada na área das infraestruturas. Nesta estratégia há vários projetos importantes", disse Cai Run durante um almoço-debate promovido pelo International Club of Portugal, numa referência à iniciativa estratégica "Uma Faixa, uma Rota" lançada por Pequim em 2013 e dirigida à Europa.

"Estamos a estimular as empresas de transporte marítimo a encontrarem um porto em Portugal, como um foco para a distribuição de mercadorias para o mercado da UE. Muitas empresas portuguesas também estão a procurar novos canais para a exportação dos seus produtos para a China", assinalou Cai Run.

Durante o debate, o embaixador chinês destacou as "profundas relações pragmáticas em todos os âmbitos" entre os dois países, quando se celebra "o início da segunda década do estabelecimento da parceria estratégica global sino-portuguesa".

Cai Run recordou que o comércio entre os dois países "cresceu 8,58% em 2015 face ao ano anterior" e revelou que Portugal já recebeu "mais de sete mil milhões de euros de investimento chinês, o quinto maior destino de investimento chinês na Europa", para além de o investimento português na China também registar um "desenvolvimento estável".

O diplomata sublinhou que a iniciativa estratégica "Uma Faixa, uma Rota" vai ser reforçada, com mais de 70 países interessados em participar no projeto.

"Portugal é um dos 57 membros fundadores do Banco asiático de investimento em infraestruturas, o objetivo é interligar o plano de investimento da União Europeia à iniciativa 'Uma Faixa, uma Rota'", disse.

A "cooperação trilateral" entre a China, Portugal e países lusófonos foi também salientada pelo representante de Pequim, nomeadamente a importância da 5ª conferência ministerial do Fórum Macau, que se realiza este ano na Região Administrativa Especial chinesa e que vai juntar a China e os países de língua portuguesa em contactos oficiais e empresariais.

O embaixador também vaticinou um reforço da cooperação empresarial bilateral na área ciência e inovação, e prognosticou a "tecnologia científica" como "ponto de crescimento" na futura cooperação bilateral.

"As empresas [estatais chinesas] 'Three Gorges' e 'State Grid' já estabeleceram um centro de investigação conjunta com os parceiros EDP e REN", recordou a propósito.

No início da intervenção, e numa referência ao "desenvolvimento da China", Cai Run tinha enunciado alguns dos objetivos da liderança de Pequim: Garantir até 2010 uma sociedade "confortável" para os 1,3 mil milhões de chineses, e "aprofundar as reformas nas áreas política, social, cultural, e na construção do próprio Partido Comunista Chinês, incluindo intensificar a reforma estrutural no lado da oferta, assegurando um crescimento económico médio-alto".

De acordo com o embaixador, em 2015 a economia chinesa teve um crescimento de 6,9% e pela primeira vez o setor dos serviços representou metade do PIB, atingindo 50,5%.

Informou ainda que o consumo contribuiu 66,4% para o crescimento económico na China, "tornando-se pela primeira vez o maior dos três motores de crescimento, à frente do investimento e exportação", num país que "deu um contributo de 25%" para a economia global.

Cai Run admitiu que o seu país ainda tem um "logo caminho" pela frente: "A nossa meta é que até 2020 o PIB e o rendimento 'per capita' dupliquem em relação ao 2010".

PCR // JMR

Lusa/Fim

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