As manifestações portuguesas são um bocadinho o reflexo do que é ser português. Um gajo diz que vai, mete que tem interesse no evento do Facebook, mas depois chega o momento da rebelião e dá aquela moleza. Ainda por cima manifestações a uma sexta-feira em vésperas de Natal, o organizador não deve conhecer bem o povo português. Se com o aproximar do fim-de-semana já passamos o dia no trabalho, a fingir que fazemos alguma coisa, em reuniões que podiam ser um e-mail e a responder a e-mails para os quais já reunimos, só para mostrar trabalho, vamos manifestar-nos? Foi mal pensado. Ainda por cima mete-se o Natal, um gajo ainda não comprou as prendas todas e depois vem logo a passagem de ano e temos de estar preparados. Se fosse daquelas manifestações com música e cerveja, tudo bem, agora ir para a rua com este frio e nem há bejecas e bailarico para aquecer? Somos franceses ou quê?

Depois, existe a síndrome da falta de pontualidade do português e ao mesmo tempo o de não gostar de esperar por ninguém. Isto leva a que apenas meia dúzia chegue a horas; ficam lá, a fazer tempo, mas não aparece ninguém e mais vale ir para o centro comercial que até pode ser que a Primark esteja com pouca gente porque ainda é cedo. Resultado: havia mais coletes amarelos nas minhas aulas de educação física do que na “mega” manifestação anunciada. O PNR bem tentou fazer uma espécie de fura casamentos, mas nem assim conseguiram parecer muitos. Parecia quando um grupo de amigos está à conversa no café, animados, e chega aquele gajo que ninguém gosta. Tudo se cala e diz “Ah, já estávamos mesmo para ir embora”. A juntar a tudo isto, descobriu-se que o Sport Lisboa e Benfica não vai a julgamento e, por isso, há mais motivos para festejar do que para protestar.

Moral da história: Portugal sofre do mal de ter péssimos gestores. É preciso contratar um gestor alemão ou francês para organizar estas manifestações. O português é bom a fazer, mas péssimo a gerir. Dou algumas dicas:

- Por cada manifestante, tem de haver 5 supervisores a olhar de mãos nos bolsos. Só assim é que se conseguem fazer as coisas em Portugal.

- Organizar o protesto noutra rede social. O Facebook está a morrer e é melhor no Instagram até porque podem aparecer gajas boas, só com um colete amarelo vestido, e isso vai logo chamar mais gente.

- Marcar uma data melhor. Nesta altura mete-se o Natal e a passagem do ano, depois vem o carnaval e o dia dos namorados, a Páscoa, começa o calor do verão e ninguém tem vontade de se manifestar até à segunda quinzena de setembro. Em novembro mete-se o Natal outra vez, por isso é marcar ali entre 23 de Setembro e 11 de Outubro. É o único período em que o português tem tempo e é se não houver jogos grandes que nessa altura o campeonato está no início. É preciso, também, ter algum cuidado com as terças, quartas e quintas devido às competições europeias; sexta-feira é o que se sabe e fim-de-semana não faz sentido. Por isso, é apanhar ali uma segunda-feira nessas duas semanas que se não estiver a chover vamos todos para a rua mostrar a nossa indignação.

Sugestões e dicas de vida completamente imparciais:

Para consumir ou oferecer: O meu novo espectáculo a solo de stand-up comedy. Datas e bilhetes neste link. No caso de serem de Faro ou Vila do Conde é neste link.

Não tenho mais sugestões para não desviar a vossa atenção da sugestão anterior.

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