Intitulada “Um Museu do Outro Mundo”, a exposição pode ser visitada a partir de sexta-feira e até 03 de junho, para assinalar o décimo aniversário deste espaço museológico, e os 30 anos da Fundação Oriente, que tutela o museu.

A exposição é inaugurada hoje, numa sessão que conta com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, o primeiro-ministro, António Costa, e o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes.

José de Guimarães disse à agência Lusa que pediu a colaboração do arquiteto Pedro Campos Costa e do curador Nuno Faria para a monstagem da exposição, de modo a obter “toda uma cidade fantasmagórica que vai de uma zona escura, até uma zona clara, atravessada por uma zona dourada”, onde as peças se reúnem simbolicamente.

O artista, cuja vida e obra é marcada por viagens pela Ásia, África e América Latina, reuniu ao longo de décadas uma coleção de arte chinesa que percorre desde o período Neolítico à unificação do império, passando por várias dinastias, a Qin e Han.

“Nas minhas viagens, recolhi vários artefactos, e nesta exposição coloco as peças antigas em diálogo com a arte contemporânea”, num conceito, segundo o artista, “cada vez mais atual”.

Na exposição, cruzam-se as obras do acervo do Museu do Oriente, da coleção pessoal de arte chinesa de José de Guimarães e novas obras criadas pelo artista.

José de Guimarães, de 78 anos, criou uma espécie de relicários para apresentar peças da sua coleção de arte antiga chinesa, sobretudo em jade, algumas com mais de dois mil anos.

Além destas peças da coleção pessoal do artista – também em terracota e bronze – há outras obras recentes, criadas especialmente por José de Guimarães para a exposição, e pinturas em papel, de grandes dimensões, “que evocam a noção de efémero”, entre outras, como papagaios e esculturas também em papel.

O diálogo — contemporâneo, arqueológico e etnográfico – criado pelo artista envolve peças orientais retiradas das reservas do acervo do Museu do Oriente, muitas delas nunca apresentadas antes ao público, nomeadamente objetos da coleção Kwon On.

José de Guimarães foi convidado para fazer uma exposição comemorativa dentro da lógica do seu trabalho: “Envolve um conceito de alteridade, de recolha de elementos de outras culturas, através de artefactos que me permitem descobrir as culturas que não são as minhas, ocidentais”.

Esta mostra assinala o arranque das comemorações dos dez anos do Museu do Oriente, estando inscrita no Ano Europeu do Património Cultural 2018.

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