O quê? Icarus

Onde? Netflix

Porquê? Foi uma das histórias de Sundance em 2017. A Netflix pagou cinco milhões de dólares por um documentário. São valores muito pouco habituais para garantir um título deste género — ainda que tenha ganho o Prémio do Grande Júri para a categoria.

Bryan Fogel realiza, escreve, protagoniza e está no centro da trama deste documentário que explora, de dentro para fora, o escândalo de doping que assombrou os atletas da Federação Russa o ano passado. Escreve a Variety que o filme começou por ser um documentário ao estilo de Super Size Me (2004) e terminou como uma espécie de Citizenfour (2014), de Laura Poitras (vencedor de um Óscar na categoria).

Ao Bussiness Insider, Fogel admitiu que antes de abraçar este projeto estava, “de certo modo”, naquilo que ele próprio catalogou como “Prisão de Realizador”. É que no seu currículo apenas consta um filme, uma “rom-com” (Jewtopia, 2012) falhada e que o colocou numa espécie de limbo no que tocava o ocupar a cadeira dos realizadores. Sobrava, pois, outra das suas paixões: o ciclismo.

É então que, em 2014, tendo como pretexto todo o alarido em torno de Lance Armstrong (que ficou conhecido mundialmente pelos sete títulos seguidos na Volta à França, mas que foi obrigado a admitir que os venceu com recurso a engenhosos esquemas de dopagem), decide mostrar como até mesmo a um nível superior da modalidade o sistema anti-doping não funcionava. Como? Em filme, documentando o seu próprio caminho enquanto (futuro) atleta dopado. Para o ajudar, encetou contactos com Grigory Rodechnkov.

Só que mal sabia Fogel que este cientista russo não só era bom naquilo que fazia, como era a mente por detrás do Centro de Anti-Doping em Moscovo. Local que, aparentemente, servia para fazer exatamente o oposto àquilo que devia de ser o seu intento: este não existia para levar a cabo o esperado “despiste” de substâncias ilícitas, mas sim para munir os atletas com elas.

Mas ao mesmo tempo que floresce uma amizade improvável, rebenta o escândalo que levou a que o atletismo russo fosse suspenso pela Federação Internacional de Atletismo e a que os atletas russos fossem excluídos dos Jogos Olímpicos do Rio-2016, após a investigação da Agência Mundial Antidoping, e do Mundial de Atletismo de Londres, que será disputado em agosto de 2017.

Mas será que “Putin sabia da existência do sistema de doping russo?”. A resposta do russo, que pode ser vista no trailer, é curta e não podia ser mais direta: “Sim". Só que com ela veio o risco. Rodechnkov foi, segundo as imagens, perseguido pelo seu próprio Governo. “Corre perigo?”, pergunta-lhe Fogel por telefone. Novamente sai resposta direta, tremida e curta: “Sim. Putin vai matar-me”.

“Icarus” chega esta sexta-feira, dia 4, à plataforma de streaming Netflix. E com novidades: apesar de ter o mesmo tempo de duração do que a versão que foi apresentada em janeiro, em Sundance, a que agora é disponibilizada tem 20 minutos de filmagens inéditas.

Este acesso privilegiado vai permitir conhecer uma visão bem privada do que se passa entre o mundo do desporto russo e a ligação direta do Kremlin com este. Algo que, para muitos, segundo o artigo da Business Insider, pode estar ligado às alegações de conluio entre Rússia e a campanha de Donald Trump durante as eleições presidenciais de novembro de 2016.

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O quê? Tropa De Elite 2: O Inimigo Agora É Outro

Onde? Hollywood, dia 6, 02h00

Porquê? Em 2007, José Padilha adaptava para o grande ecrã o livro “Tropa de Elite” de André Batista, Luiz Eduardo Soares e Rodrigo Pimentel. Um antropólogo e depois ex-membros da força especial que “veste de preto”. A narrativa é toda ela a partir do ponto de vista do Capitão Nascimento e do seu Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE). Aqui, no Rio de Janeiro, num morro brasileiro prestes a receber a visita do Papa, é relatada a versão dos factos de alguém que lida com a droga e corrupção da própria policia e Governo. Mas também da criminalidade e da droga.

É através da visão crua, real e dura do realizador (ainda que a história e personagens sejam fictícios, apesar de óbvias referências reais retiradas das vivências dos próprios autores do livro e guião) que seguimos os passos de Nascimento, Neto e Matias. É o ponto de vista do polícia, durante a sua guerrilha urbana contra a criminalidade; e é a partir dele que se consegue traçar de forma esclarecedora o perfil emocional e psicológico que caracteriza os homens desta força policial que tanto se distinguem dos demais.

Quem viu o filme, não esquece algumas linhas imortalizadas pela voz de Wagner Mora em off: “Bandido bom é bandido morto!” ou “Homem com farda preta entra na favela p’ra matar, nunca p’ra morrer”, são disso exemplos. Portanto, não é de estranhar que fosse reunida a equipa para uma sequela. Foi o que aconteceu três anos depois, em 2010.

E se a primeira trama era uma denúncia clara da corrupção da polícia carioca, a continuação, que na ficção dá um salto de 15 anos em relação à história original, é uma crítica ao comportamento dos políticos do mais alto escalão, em Brasília.

Êxito desde a estreia, só no Brasil contou com 1,25 milhões de espetadores apenas no primeiro fim de semana de exibição, o filme superou blockbusters internacionais como “Twilight: Eclipse” e “Avatar”, exibidos na mesma altura nos cinemas brasileiros. É o quarto filme mais visto de sempre e o segundo brasileiro mais visto no país do Cristo Rei.

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O quê? Collateral

Onde? AXN, dia 5, 22h25

Jamie Foxx e Tom Cruise são dirigidos por Michael Mann neste Collateral, um filme cuja narrativa acontece toda — e somente — numa noite. Foxx é o condutor do táxi, Cruise o passageiro. O primeiro sonha com uma frota sua de limusines, o segundo é um assassino profissional. Um fala abertamente sobre o seu negócio, que é temporário, apesar de já terem passados doze anos sob batuta da mesma rotina. Outro explica que vai precisar de fazer cinco paragens e que necessita de estar no LAX, famoso aeroporto de Los Angeles, às 6h da manhã. Em ponto.

E assim se desenvolve o enredo, num debruçar entre os dois sujeitos, funcionando a noite como seu predicado. Porque não existem apenas duas personagens principais: a noite, aqui, também é ela protagonista. É a ela que dita o jogo de luzes e que grita “ação” para tudo aquilo que gira em torno da câmara. Nenhum plano acontece por acaso: há sempre algo a reluzir e a acrescentar um ponto à história, como se o realizador e o seu diretor de fotografia fizessem questão de relembrar o espetador que deve estar com atenção redobrada.

Isto tudo, claro, enquanto Vincent, personagem interpretada por Cruise, faz o seu trabalho e mata uns quantos durante umas horas que se vão revelar, pelo menos a Max, de Foxx, bastante longas. É um pouco como escreveu Fernando Pessoa em "Cancioneiro": Como a noite é longa! Toda a noite é assim...

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Em casa é bom, mas ver filme é no cinema

Nesse caso, estreou esta quinta-feira nas salas portuguesas o filme Baby Driver: Alta Velocidade, de Edgar Wright, que assina também o guião. (Curiosamente, Jamie Foxx está novamente numa sugestão do SAPO24 para o seu serão. No entanto, asseguramos que é pura coincidência.) Mas o filme promete ação, boa música e fugas em altas rotações. No filme, Baby (Ansel Elgort) tem uma frota de iPod’s e é um rapaz que é o melhor na altura de executar a sua particular arte: conduzir carros após assaltos e pôr os assaltantes a milhas do local do crime.

Para Baby, são voltas e voltas na pista do crime, até que tudo se altera quando encontra a rapariga (Lily James) que lhe o rouba coração. O terceiro elemento deste "romance" é Doc (Kevin Spacey), um criminoso que é o cérebro por de trás dos assaltos, ameaça o seu futuro e a da sua amada.

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