Que música escolheria para ilustrar a atual situação política em Portugal? E no mundo? A pergunta não foi feita num talk-show, mas numa conversa com o ministro dos Negócios Estrangeiros num evento organizado na tarde desta sexta-feira, em Paris, pelo Portugal Muito Maior, entidade criada para promover a música portuguesa fora de Portugal e que está sob a tutela de Augusto Santos Silva. Era, portanto, de música que se tratava, e o ministro, não se escudou à resposta.

“Para o contexto nacional, sugeria uma suíte de Bach, calma, tranquila, bem construída e arquitetada. Para o internacional, estamos num tempo que se ouvíssemos mais os Smiths podíamos estar mais inspirados”, propôs.

Portugal foi o país em destaque no MaMA — Festival & Convention, evento que junta 6000 profissionais da música na capital francesa. A representação portuguesa teve o apoio do Portugal Muito Maior e foi nesse contexto que o ministro Augusto Santos Silva participou num evento na tarde de sexta-feira, último dia do MaMa, já depois de ter assistido na noite de quinta-feira ao concerto da Pongo (conhecida do grande público através da colaboração com os Buraka Som Sistema em “Kalemba, Wegue Wegue”). Um concerto que “faz levantar um morto, como se diz na minha terra”, sublinhou.

Porquê só agora esta estratégia concertada através do Portugal Muito Maior? É um Santos Silva visivelmente bem-disposto que responde: “A resposta mais simples seria dizer que é porque só este ministro dos Negócios Estrangeiros entendeu que valia a pena ter no Instituto Camões, que é o instituto que promove a cultura portuguesa internacionalmente, esta valência de promoção da música. Mas seria uma resposta muito politiqueira”. E avança para a resposta institucional: “Portanto vamos dizer que temos feito um caminho e da mesma maneira que apoiamos a presença em feiras do livro ou festivais literários dos nossos novos ficcionistas também devia ser natural que apoiássemos festivais de música".

Um caminho que tem dois objetivos, explica. “Primeiro identificar e dar a conhecer os talentos musicais da diáspora. Com dois milhões de pessoas naturais de Portugal que vivem no estrangeiro, existem de certeza umas boas dezenas de talentos”. O segundo é o inverso: "apoiar esforços de internacionalização dos músicos portugueses para que os diferentes mercados no estrangeiro os possam conhecer”.

A presença no MaMA — Festival & Convention vai ao encontro deste segundo objetivo. “Visa dar uma oportunidade de se exibir em perante outros públicos e encontrar agentes locais, sejam franceses ou outros”.

Diversificação é a palavra-chave no plano de promoção da música portuguesa. Não se trata de ir contra o mercado da saudade, pelo contrário, mas de encontrar também novos públicos. “Não temos que desenvolver novos mercados contra o mercado da saudade, aliás há uma nova projeção da nova geração do fado. Mas temos de compreender que no estrangeiro vive hoje uma nova geração de portugueses com gostos musicais diversificados, do rock, pop, à música eletrónica”.

A atenção à música não se esgota, afirma, na qualidade de ministro dos Negócios Estrangeiros. “Estou atento porque gosto de música e de formas diferentes de música”. Um interesse que se reflete no “sistema de organização” da sua vida “em função da música”. Enumera: “rock ou música popular no carro, música clássica no trabalho, jazz para outros ambientes”. A isto soma um interesse profissional. “Sou sociólogo, especializado em sociologia da cultura, e o meu último livro é sobre o punk português”.

(A jornalista está no MaMA — Festival & Convention, que termina esta sexta-feira, a convite da JUMP – European Music Market Accelerator.)

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