“Vamos então terminar a sessão. Agradeço a todos a cooperação prestada e até para a semana. Muito obrigado. Bom fim de semana a todos. Os que puderem em Sevilha, claro”, disse Ferro Rodrigues no final no plenário da Assembleia da República de hoje.

Na quarta-feira, em Budapeste, no final do jogo da seleção nacional de futebol que permitiu a qualificação para os oitavos de final do Euro2020, Eduardo Ferro Rodrigues já tinha feito um apelo para “que os portugueses se desloquem de forma massiva para o Sul de Espanha e que possam apoiar uma grande vitória de Portugal nos oitavos de final”, de acordo com declarações transmitidas pela RTP.

Hoje mesmo, na sessão plenária, foi aprovada, com a abstenção da Iniciativa Liberal, a deslocação do Presidente da República a Sevilha, no domingo, precisamente para assistir ao jogo da seleção nacional de futebol dos oitavos de final do Euro2020.

Na quinta-feira, em Guimarães, questionado sobre estas declarações do presidente da Assembleia da República, Marcelo Rebelo de Sousa não apontou críticas.

"Eu acho que aquilo foi a expressão de uma ideia que nós percebemos que é os que puderem ir que vão para termos um apelo significativo à seleção, mas está implícito que respeitem as regras e que só vão aqueles que possam ir, foi assim que eu li", declarou então.

"Eu próprio já que tinha dito ontem [quarta-feira] que gostava muito de ir, pensei para comigo mesmo que eu só vou se o morador em Lisboa comum puder ir, se não puder ir, não vou", disse.

Tal como no fim de semana passado, a proibição de circulação para dentro ou para fora da Área Metropolitana de Lisboa (AML) mantém-se a partir das 15:00 de hoje e até às 06:00 de segunda-feira, mas quem tenha um certificado digital ou um teste negativo à covid-19 pode passar.

A ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, no final do Conselho de Ministros de quinta-feira, quando confrontada com este apelo de Ferro Rodrigues, escusou-se a comentar, alertando para o “momento crítico da evolução da pandemia”.

“Eu não comento aqui, nunca comento declarações de outros órgãos de soberania”, começou por responder a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, na conferência de imprensa que decorreu após o Conselho de Ministros de hoje.

A governante aproveitou para avisar que “este é um momento crítico da evolução da pandemia” em Portugal.

Marcelo analisa a situação em Sevilha

O presidente da República até já tem o Certificado Digital Covid, mas está a analisar a situação pandémica em Sevilha para decidir sobre a sua deslocação no domingo para assistir ao jogo da seleção portuguesa de futebol.

Esta posição foi transmitida pela Presidência da República, depois de questionada pela agência Lusa se o chefe de Estado se deslocará no domingo a Sevilha para assistir ao jogo da seleção nacional contra a Bélgica.

"O Presidente da República, que dispõe do Certificado Digital Covid, que lhe permite, como a qualquer outro cidadão na mesma situação, deslocar-se para fora da Área Metropolitana de Lisboa, nos termos da resolução do Conselho de Ministros de ontem [quinta-feira], está a analisar a evolução da situação pandémica em Sevilha, para tomar uma decisão final sobre a deslocação", respondeu a Presidência da República à agência Lusa.

Hoje, ao fim da manhã, a Assembleia da República aprovou a autorização pedida pelo Presidente da República para se deslocar a Sevilha no próximo domingo.

O projeto de resolução para assentimento do parlamento à deslocação do chefe de Estado a Sevilha foi aprovado com os votos favoráveis de todas as bancadas, mas teve a abstenção do deputado único da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo.

"A Assembleia da República resolve, nos termos da alínea b) do artigo 163.º e do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, dar assentimento à deslocação de Sua Excelência o Presidente da República a Sevilha, no dia 27 de junho [domingo], para assistir ao jogo de Portugal, no âmbito do Europeu de Futebol 2020", lê-se na resolução aprovada.

Na quinta-feira, em Guimarães, Marcelo Rebelo de Sousa referiu-se à questão da sua eventual presença em Sevilha.

"Eu próprio já que tinha dito ontem [quarta-feira] que gostava muito de ir, pensei para comigo mesmo que eu só vou se o morador em Lisboa comum puder ir, se não puder ir, não vou", disse.

Costa não é comentador

Em Bruxelas, o primeiro-ministro, António Costa, recusou comentar o apelo do presidente Assembleia da República, para os portugueses irem a Sevilha apoiar Portugal nos oitavos do Euro, por “não ser comentador”, lembrando que “o comportamento de cada um é essencial”.

“As televisões estão já cheias de comentadores […] e eu acho que os responsáveis políticos devem concentrar-se na função respetiva de cada um e não se andarem a comentar uns aos outros. Não é meu hábito comentar titulares de órgãos de soberania e não vou abrir exceção”, afirmou António Costa.

Falando em declarações à imprensa portuguesa em Bruxelas no final de um Conselho Europeu de dois dias, o chefe de Governo acrescentou ainda assim que “o comportamento de cada um é essencial” para combater a pandemia de covid-19.

“O que tenho dito desde o princípio da pandemia e continuarei a dizer até a pandemia estar extinta – não sabemos quando será – é que temos de ir adotando os comportamentos e as medidas em função da evolução da pandemia, [pelo que] não podemos descurar medidas de proteção individual como a máscara, mesmo estando vacinados, ou a higiene das mãos e a distância física”, elencou.

Por essa razão, “se isso for feito e se os eventos se realizarem de forma civilizada, […] os riscos são mais diminutos”, defendeu António Costa.

Revelando que irá assistir ao jogo no próximo domingo “em casa, em Lisboa”, António Costa notou que “os cuidados são para manter em qualquer circunstância”.

“Cada vez que não o fizermos, estamos a correr o risco de ser contaminados ou de contaminar terceiros”, apontou.

O chefe de Governo recusou, ainda assim, a existência de “um estado policial”, preferindo antes um “estado de responsabilização”.

Já quanto a eventuais deslocações até Sevilha, que é considerada uma zona de alto risco no que toca à pandemia, António Costa adiantou existirem recomendações para a circulação emitidas pela Direção-Geral de Saúde ou pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros.

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