A entrada das forças talibãs em Cabul, domingo, depois de o presidente Ashraf Ghani ter abandonado o Afeganistão pôs fim a uma campanha militar de duas décadas em que os Estados Unidos e aliados, incluindo Portugal, tentaram transformar o país, sem êxito.

As forças de segurança afegãs, treinadas pelos militares estrangeiros, colapsaram antes da entrada dos talibãs na cidade de Cabul.

Milhares de afegãos, em Cabul, tentam fugir do país e muitos dirigiram-se para o aeroporto internacional onde a situação é caótica.

Imagens publicadas hoje nas redes sociais mostram centenas de pessoas na placa do aeroporto tendo as forças dos Estados Unidos presentes no local disparado para o ar para afastar a multidão.

De acordo com a informação avançada pela agência Reuters, que cita testemunhas no local, pelo menos cinco pessoas terão morrido. No entanto, neste momento ainda não é possível apurar o que terá provado estas mortes.

Massouma Tajik, 22 anos, programadora informática descreve "cenas de pânico" no aeroporto onde se encontra, entre centenas de pessoas que tentaram embarcar num avião para o exterior.

A programadora informática, citada pela Associated Press, disse que após seis horas no aeroporto ouviu disparos quando "uma multidão de homens e mulheres" tentavam entrar num avião.

Os militares norte-americanos dispararam granadas de gás lacrimogéneo e fizeram disparos na tentativa de afastar os civis do avião.

A embaixada dos Estados Unidos foi evacuada e a bandeira arreada tendo os diplomatas norte-americanos sido conduzidos para o aeroporto.

Outros países ocidentais também encerraram as respetivas missões diplomáticas e estão retirar os funcionários e os trabalhadores contratados localmente.

Hoje, a Autoridade da Avião Civil do Afeganistão comunicou que "os voos comerciais" estão suspensos até nova ordem.

Na cidade de Cabul, a maior parte dos habitantes mantêm-se dentro de casa mas há relatos sobre pilhagens levadas a cabo por homens armados.

As forças talibãs libertaram milhares de prisioneiros que se encontravam em várias prisões do país durante a ofensiva que decorreu durante as últimas semanas.

Combatentes talibãs foram destacados para as maiores artérias da cidade e para junto dos cruzamentos no centro da cidade, de acordo com os vídeos que foram divulgados nas últimas horas.

"Há combatentes talibãs em cada rua e nos cruzamentos da cidade", disse à Associated Press, Shah Molhmmad, um jardineiro de 55 anos, referindo que há menos trânsito de veículos automóveis e motociclos nas ruas da capital.

Suhail Shaheen, um porta-voz talibã disse através do Twitter que "os combatentes têm ordens para não entrarem nas casas dos civis e para protegerem a vida, a propriedade e a honra".

O mesmo porta-voz disse também que as forças se vão manter fora do bairro onde estão situadas as embaixadas, onde se encontra o complexo norte-americano para "evitarem a confusão e problemas".

No mesmo bairro encontram-se as residências dos "senhores da guerra" afegãos que se refugiaram em Cabul nas últimas semanas em fuga da ofensiva talibã.

O Afeganistão foi controlado pelos talibãs entre 1996 e 2001 impondo a "Lei Islâmica": as mulheres foram obrigadas a confinamento em casa e as pessoas acusadas de crimes foram amputadas ou executadas na praça pública.

Os talibãs protegeram Osama bin Laden, líder da Al Qaeda, nos anos que se seguiram ao ataque a Nova Iorque, em 2001.

Calcula-se que atualmente vivem na cidade de Cabul cinco milhões de pessoas.

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