O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, terminou o segundo e longo dia da sua visita de Estado a Angola com um passeio noturno na restinga do Lobito, "para esmoer um bocadinho o jantar". Acompanhou-o nesse passeio de meia hora na quarta-feira à noite o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que avisou logo no início que depois seguiria para outro lugar, por não estar alojado no mesmo hotel que o chefe de Estado.

"Ah, não está aqui?", perguntou Marcelo Rebelo de Sousa, mostrando-se surpreendido. "É uma divisão, é uma força da reação que está a tentar dividir as instituições, mas eu acompanho o senhor Presidente. Vamos andar", respondeu o ministro.

O chefe de Estado aproveitaria a parte final do trajeto para uma conversa reservada com o ministro dos Negócios Estrangeiros, terminadas as declarações à comunicação social, com quem falou em andamento.

"Agora vou esmoer o jantar que, aliás, foi muito frugal", declarou, enquanto já dava início à caminhada.

Mesmo no escuro, com pouca gente na beira-mar àquela hora, perto da meia-noite, iam-se aproximando algumas pessoas. Uma família portuguesa que recentemente se mudou para esta cidade costeira de Angola abordou-o e disse-lhe que está contente por viver ali.

"Angola, toda ela é fascinante, mas aqui realmente há uma qualidade de vida", concordou o Presidente, perguntando a um dos filhos do casal do que é gosta mais no Lobito. "Da praia", respondeu o rapaz.

"Ah, da praia, ó filho, a quem tu dizes isso, estamos juntos", retorquiu Marcelo Rebelo de Sousa, adiantando que na sexta-feira de manhã, se puder, irá dar um mergulho. "Até agora não houve um minuto", referiu.

Mais à frente, angolanos saudaram-no chamando-lhe "Ti Celito", como é conhecido em Angola. "Ti Celito, exatamente, isso ficou, Ti Celito", repetiu Marcelo Rebelo de Sousa, agradado com essa forma tratamento.

Alguns metros adiante, o chefe de Estado parou junto a uma tasquinha e entrou no estabelecimento, onde Cláudia Abrunhosa tinha acabado de fazer "uma dobradinha com feijão branco", esperançosa de que o "Ti Celito" aparecesse para a provar.

"E olha, pelo menos veio visitar-nos", exclamou, alegre, enquanto alguém proclamava: "A tasquinha está na história".

Na passagem entre a frente atlântica e a baía da cidade, Marcelo Rebelo de Sousa ouviu um cidadão angolano queixar-se do cônsul português em Benguela: "Não está à altura para ser o cônsul, está altamente é para ser expulso daqui".

O Presidente não deu resposta e a cena rapidamente foi interrompida por uma mulher que se aproximou dizendo: "Senhor Presidente, nós te amamos, isso é mais importante".

Durante este passeio, o chefe de Estado enalteceu o fórum económico realizado ao final do dia de quarta-feira, em Benguela, qualificando-o de "histórico", pelo número de empresários presentes, de várias gerações, de pequenas e médias empresas "muito esperançadas no futuro".

Após esse fórum, o Presidente da República ofereceu um jantar à comunidade portuguesa, ocasião em que se cumpriu um minuto de silêncio pelas vítimas de violência doméstica, num dia que foi de luto nacional em Portugal, motivo pelo qual Marcelo Rebelo de Sousa usou uma grava preta.

Nesse encontro, realizado no navio Álvares Cabral, da Marinha Portuguesa, atracado no Porto do Lobito, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a agradecer o papel dos portugueses em Angola, "ficando, construindo, resistindo, acreditando e olhando para o futuro".

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