Paco Arango queria dedicar parte do seu tempo a um projeto de voluntariado para devolver a sorte que teve na vida e, por sugestão de um amigo, começou a fazer voluntariado com crianças com cancro num hospital pediátrico em Espanha em 2001.

“Entrei pela porta e nunca mais saí”, contou hoje aos jornalistas durante uma visita ao serviço de pediatria do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa.

Em 2005, criou a Fundação Aladina para melhorar as condições de crianças e adolescentes com cancro e apoiar suas famílias e, em 2001, estreou-se como realizador de cinema com o filme “Maktub” e destinou o primeiro meio milhão de euros das receitas para a melhoria do hospital pediátrico oncológico Menino Jesus em Espanha.

Desde então nunca mais parou. Hoje está em Portugal para apresentar o filme solidário “O que de verdade importa”, cujas receitas vão reverter na totalidade revertendo para o IPO de Lisboa para apoiar as obras já em curso da nova Unidade de Transplante de Medula, orçadas num milhão de euros.

Durante a visita ao IPO, Paco Arango falou com algumas crianças internadas a quem arrancou sorrisos com alguns truques de magia e a quem deu palavras de ânimo, coragem e alegria e falou do filme que já ajudou milhares de vítimas de cancro nos vários países onde foi exibido.

“O IPO Lisboa é um hospital onde se está muito bem e com o filme ‘O que de verdade importa’, que estreia no dia 13 de setembro em Portugal, nunca foi tão fácil ajudar”, disse o realizador, sublinhando que um hospital está “cheio de problemas”, mas também cheio de amor. “É um sítio incrivelmente feliz”.

O realizador, nascido no México, mas a viver há muitos anos em Espanha, explicou que “todo o dinheiro do filme vai para uma criança portuguesa com cancro” e que essa é a razão porque está em Portugal.

“A vida é um presente e há que retribuir. Todos temos a responsabilidade de tentar deixar este mundo um bocadinho melhor do que o encontrámos e é isso que eu faço com o meu filme”, que narra uma história que celebra a vida numa mistura de comédia, dramatismo e realismo mágico.

O filme já foi exibido na Costa Rica, Brasil, Espanha, México, Colômbia, El Salvador, Panamá, Guatemala, Peru e Chile, onde foi visto por mais de 3,5 milhões de pessoas, tendo angariado no total quatro milhões de euros que foram doados pelo realizador a centros de oncologia.

“Agora, graças ao grupo de comunicações e entretenimento NOS chega Portugal, porque as crianças portuguesas são tão importantes como qualquer outra. Não há nacionalidades quando se fala de crianças com cancro, frisou.

Paco Arango disse compreender que para muitos portugueses “ver uma criança com cancro é muito doloroso”, preferindo não ver. “Mas têm que ver, porque junto podemos fazer muito bem e eu venho explicar isto”.

Em declarações à agência Lusa o fundador e diretor da Unidade de Transplante de Medula, Manuel Abecasis, salientou a importância deste contributo para o novo centro de transplante de medula.

“Esta ajuda é muitíssimo bem-vinda, porque temos garantidas verbas para a construção física do espaço, mas não temos ainda garantidas verbas para todo o equipamento necessário para pôr o serviço a funcionar regularmente”, disse Manuel Abecasis.

Por isso, salientou o médico, “este contributo vai ser de enorme importância para conseguirmos atingir esse objetivo”.

Para Manuel Abecasis, exemplos como este de ajuda são como “a semente boa caída na terra que deve fortificar” e que devem ser seguidos por muita gente. “No nosso país seguramente que haverá outras fundações e mecenas que sensibilizados para esta causa podem vir a ajudar de uma forma significativa”, salientou.

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