Luiz Leite é um apaixonado, desde tenra idade, pela aviação. Médico dermatologista, com clínica em Lisboa, começou a pilotar “na Guiné”, país onde nasceu, quando tinha “12 anos”, recorda.

“Não aterrava, nem levantava, como é óbvio. Punha a mão na manche (o “volante”, trocado por miúdos)”, assume, em conversa com o SAPO24 na pista do aeródromo municipal de Ponte de Sor, um par de horas antes de levantar voo aos comandos de um “Antonov”, para uma sessão de treino por ocasião da terceira edição do Portugal Air Summit, cimeira aeronáutica organizada pela RACE que termina hoje e engloba um programa competitivo de corridas de aviões aliada a uma componente lúdica com demonstrações de voos. O brevet veio uns anos depois, embora não se recorde há quanto tempo tem a “carta do ar”.

O icónico avião soviético, An-2, desenhado por Oleg Antonov, foi construído na Polónia, onde Luiz Leite o adquiriu. “Chegou na quinta-feira (a tempo da Portugal Air Summit). O tipo que me vendeu, um dealer local, que mantém uma ligação ao aeródromo vendendo alguns aviões de instrução, foi bombardeado nas redes sociais por gente a questionar e lamentar a venda”, sorri.

Luiz, 68 anos, olha para o avião como quem olha para um filho. É uma das meninas de ouro dos seus olhos. A outra é outro “Anushka”, como é conhecido este avião, adquirido “há mais de um ano”, comprado a “um piloto de acrobacias”. Foi construído tendo como destino o serviço militar. “Tem o layout de paraquedistas” podendo vislumbrar-se a inscrição “pela União Soviética””, destaca.

Fala da história deste exemplar da engenharia aeronáutica do outro lado da Cortina de Ferro. “É um avião, cujo primeiro protótipo nasce em 1947, inicialmente na Ucrânia (13 mil exemplares) e depois transferido para a Polónia (17 mil). “A China também construi uns milhares e na Coreia do Norte, o líder Kim Jong-un apareceu a fingir que pilotava um”, atira.

“É multifacetado, versátil e robusto”, explica. “Foi construído para que pudesse fazer médio e longo curso, que fosse autossuficiente, que servisse para tropas paraquedistas, passageiros e agrícola e aterrasse ou deslocasse de qualquer lado, que o fizesse em curtas distâncias”, descreve. O qualquer lugar é desde as margens de um rio às regiões mais inóspitas da Sibéria e da Mongólia.

O avião em causa, o An-2, viu a luz do dia “em 1996”, recua. “Deixaram de o fazer em 2001”. Hoje, diz com conhecimento de causa, “há 25 a voar na Polónia. Na Rússia não se sabe”, admite.

Foi construído para o transporte de passageiros. Luiz Leite retira as chaves de uma “entrada de inspeção” e mostra o interior deste pássaro. “12 filas de passageiros, filas de duas cadeiras, uma fila de um cadeira”.  O coração guarda um “motor de mil cavalos, 9 cilindros em estrela. E bebe 170 litros por cada hora de voo”, solta uma gargalhada.

Está encontrada a justificação porque os Antonovs só levantam voo “quando o rei faz anos”. Para os dias civis, é um Piaggio, de cor vermelha, que Luiz Leite pilota. “Foi um avião escolhido pela FA alemã pela Suisse Air para dar instrução básica de treino pilotagem”, finaliza.

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