O maravilhoso mundo dos "maluquinhos" das máquinas voadoras cabe, por estes dias, no aeródromo municipal de Ponte de Sor. Há aviões por todo o lado. Em terra e no ar. De todos os tamanhos, feitios e finalidades. Assim como as mais diversas componentes que equipam estas máquinas.

Numa tenda de proporções gigantes com quase 4 mil m2, refrigerada a uma temperatura diametralmente oposta ao tórrido calor da cidade alentejana, diversos expositores da 3.ª edição do Portugal Air Summit, que decorre até domingo, dão asas às inovações e negócios que têm em mãos.

Da componente militar com presença física às simulações e imagens virtuais; dos aviões e helicópteros de cortiça e outros para brincar à parte educacional com várias universidades a mostrarem a oferta académica das escolas de pilotagem; dos drones às empresas que apresentam soluções para a monitorização de aves e aos simuladores que nos levam ao espaço. Estão, em Ponte de Sor, um sem fim de empresas que fazem parte da paisagem montada que tem como pano de fundo aviões em exibição — e em treino — para uma prova de competição que decorre no fim de semana no céu alentejano.

Drone que combate a vespa asiática com um espigão que entra em ninhos de 30 metros

A Mavport é uma unidade de negócios do grupo Microsegur. “Não vendemos drones. Compomos soluções para drones, robots e desenvolvemos inteligência artificial”, explica Paulo Marques ao SAPO 24.

Um dos ex-líbris do trabalho visível desta empresa com sede em Lisboa atua no “combate à vespa asiática”, anuncia o responsável máximo da empresa. O Matrice 600 Pro é um drone que responde a essa necessidade e que é utilizado pela câmara municipal de Albergaria-a-Velha.

João Santos, engenheiro, entra em cena. “Colocamos um depósito que transporta o pesticida. O líquido é transportado por uma cana de 4,5 metros que termina num espigão [tal como o ferrão de uma vespa] que entra no interior no ninho e injecta o pesticida”, frisa. “Esta ferramenta permite chegar a pinheiros com 30 metros”, detalha.

Para além do combate a este problema que impacta na agricultura, as soluções desenvolvidas por esta empresa B2B que resolve problemas da vida real utilizando tecnologia robótica de última geração não se ficam por aqui. “Temos a componente de segurança e vigilância”, refere Paulo Marques. “Um drone que está parado no ar, durante 10 horas, ancorado e alimentado por terra”, um sistema anti-drones, porque os drones “podem eles mesmos serem uma ameaça” e um “patrulha de drones”, enumera. Há ainda o “mapeamento fotográfico aéreo, ou o vulgo scanner”, “a inspeção de infraestruturas a pontes e torres de telecomunicações” e “soluções sem drones, utilizando sensores, por exemplo, nas fissuras”, finaliza.

Uma ave de rapina mecânica que veste a pele de um cão pastor

Os aeroportos, com áreas abertas, relvados e prados, são um terreno fértil para a presença de diversas aves que ali podem residir, alimentar-se, descansar ou nidificar.

O problema é real e muitas são as empresas e entidades nacionais aeronáuticas que procuram soluções. A Clear Fligt Solutions, empresa holandesa, deu o braço à portuguesa Leitek Innovative Solutions para apresentar no mercado português uma ave de rapina robótica que dá resposta a esse problema específico da presença de aves junto destas infraestruturas.

“Basicamente, é um robot que se assemelha em tudo — nos movimentos, no voo, barulho, na potência ao bater as asas — a uma ave de rapina real” explica Jan van den Eijkel. A rodbird [ave robótica], demorou “cinco anos a ser desenvolvida”, sublinha, e “faz o trabalho de um cão pastor. Guia e afasta as outras aves para fora das linhas de aterragem e descolagem”, descreve.

Com a presença desta ave telecomandada fica garantida a proteção do espaço aéreo que, assim, fica livre de outras aves que associam aquele local “à presença de um predador através do efeito Pavlov”, lê-se num descritivo da Leitek.

A paixão pelos aviões comandados em terra

O aeromodelismo está representado pela Entretem, a empresa “mais velha em Portugal”, conforme anuncia Hélder Madaíl, antigo cliente da loja e, hoje, dono. “Era cliente e comprei a empresa há cinco anos”, explica.

Agora com 40 anos, a primeira vez que teve um avião telecomandado nas mãos “tinha 11 anos”, recorda. “Foi o meu avô, que era fanático por aviões, que o comprou”. Estava dado o primeiro passo para a concretização do tradicional sonho de criança de um dia ser piloto.

Por falar em crianças, explica que ter um comando na mão e pilotar é “o mais perto do que é real”, quando se compara com os videojogos. “No ecrã, se cairmos fazemos reset. No aeromodelismo, não”, graceja.

“Os pais pedem-nos, por vezes, que os ajudem a convencer os filhos a largarem o mundo virtual e irem para a rua, para o campo, com um telecomando nas mãos para guiar um avião, um carro ou um barco”, assegura. Mas as ofertas não se ficam por aqui. Há um “mundo novo que começa a ser apresentado com as máquinas industriais. É uma loucura”, garante.

Hélder Madaíl nunca levantou os pés da terra. O aeromodelismo “é a forma mais enriquecedora de entrar no mundo dos aviões”. Com uma “paixão por aviões grandes”, assume as despesas de piloto de UAV’s – unmanned aerial vehicle – “uns aviões a jato com turbina igual aos aviões reais” cuja experiência de pilotagem “é tão boa e tão enriquecedora como pilotar um avião real”, pormenoriza.

“Mais que uma paixão, é uma profissão”, assume Madaíl que, para além de gerir a loja no Centro Comercial da Portela, Loures, dá aulas numa escola em Alverca (Gago Coutinho), numa vertente técnico profissional.

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