“A situação pode ser alarmante e prejudicar gravemente, primeiro as empresas de transporte e, depois, as empresas e a economia nacional”, disse à agência Lusa o advogado da associação patronal André Matias de Almeida, temendo um “impacto brutal” resultante da entrada em vigor do novo CCTV [Contrato Coletivo de Trabalho Vertical] em 2020.

“As empresas não terão capacidade para absorver e internalizar todos os custos”, avisou.

A Antram espera assim que o mercado absorva os impactos pecuniários assumidos pelas empresas pois, caso isso não suceda “tal ditará despedimentos coletivos e reduções de frotas das transportadoras”.

A associação diz que têm sido várias as situações reportadas por associados, que se queixam que os clientes não pretendem que os custos de transportes sejam atualizados em alta.

“Os custos assumidos com as melhores condições de trabalho dos motoristas devem ser reconhecidos por todos e terá de existir alguma responsabilidade social de todos, transportadores e clientes”, refere a associação patronal em comunicado.

Assim não sendo, avisa, “2020 será um ano de despedimentos coletivos e insolvências de transportadores com evidente impacto na economia”.

A Antram está assim “muito preocupada” com o estado atual das empresas e o futuro destas, nomeadamente com os custos “altíssimos” e a rentabilidade “sempre a descer há três anos”, com as empresas a internalizarem todos os custos e “a sofrerem sozinhas todo o impacto”.

Em 29 de outubro, patrões e sindicatos assinaram formalmente o novo contrato coletivo de trabalho para o setor, depois daquilo a que o advogado da Antram, André Matias de Almeida, classificou como “uma negociação muito dura”, atualizando em 11,1% a tabela salarial para os motoristas de pesados.

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