“Queremos um jogo o mais normal possível e com o mínimo de paragens. O público espera grandes alterações, mas a equipa de arbitragem vai dar o melhor para que seja um jogo à antiga. A haver essa ajuda dos meios tecnológicos, que seja mesmo em situação clara, evidente, que seja benéfica para o futebol”, disse o árbitro lisboeta.

Em declarações ao sítio da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Hugo Miguel explicou que há dois tipos de comunicação entre os intervenientes: “Ou dizer ao árbitro de campo que a sua decisão está totalmente errada e tem de alterar ou deixar a sugestão do árbitro poder ver a imagem”.

“Aí, tem de se deslocar a uma zona neutra para ver as imagens escolhidas pelo seu colega vídeo-árbitro e em casos mais subjetivos pode alterar a sua decisão”, prosseguiu.

Hugo Miguel assume ainda o cumprir do “sonho” de dirigir, pela primeira vez, após 21 anos de carreira, a final da Taça de Portugal, depois de ter sido nomeado em outras situações para funções auxiliares ao jogo.

Jorge Sousa, que, juntamente com Artur Soares Dias, vai operar o vídeo-árbitro, diz que este sistema vai melhorar a qualidade das decisões do árbitro sobre o jogo e garante que quem está no envolvido no papel auxiliar “sente verdadeiramente que está envolvido na decisão do jogo”.

“Tomaremos decisões que podem ter impacto e implicância no resultado final”, lembrou, recordando ainda que estas alterações vão implicar uma adaptação de todos os envolvidos à nova realidade.

O árbitro portuense garante que “não há dúvidas de que vai trazer maior justiça e verdade desportiva”, mas adverte que não será panaceia para todos os males: “Desengane-se quem pense que vai ser medicamento milagroso para acabar com as polémicas do futebol, pois não vai acontecer”.

O vídeo-arbitro vai ser preciosa ajuda sobretudo na análise de golos obtidos em posição legal, nos lances de penalti, cartões vermelhos diretos e identificação de jogadores.

Artur Soares Dias recorda que este “já não é um projeto em desenvolvimento, mas uma realidade” que, defende, “vai colmatar alguns lapsos dos árbitros, claramente identificados, que podem ser corrigidos”.

“É uma ferramenta nova que vai precisar de um período de adaptação. A todos os árbitros. Não estamos habituados. E alguém a ser ajudado a tomar decisões. O objetivo é o mínimo impacto e o máximo de benefício”, concluiu.

O vídeo-arbitro estreia-se em Portugal domingo na final da Taça de Portugal entre Benfica e Vitória de Guimarães, no Estádio do Jamor, em Oeiras.

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