“São décadas de desinvestimento no transporte coletivo e público. É preciso investimento profundo, exigente do ponto de vista financeiro, e não atingiremos resultados a curto prazo, só alguns, mas as medidas só terão impactos daqui a uns anos, mas se não as tomarmos agora não terão”, disse à Lusa o primeiro secretário da Área Metropolitana de Lisboa (AML), Carlos Humberto Carvalho.

No âmbito da Semana Europeia da Mobilidade, no lançamento de uma campanha dos transportes urbanos da AML, Carlos Humberto Carvalho salientou a importância de existir ainda “mais informação sobre o transporte e a ligação a outros modos de transporte” de forma a promover a intermobilidade e o uso dos transportes públicos.

De acordo com o responsável, são precisas “medidas pesadas,” para que uma mudança de paradigma no uso de transportes públicos se altere, além da necessidade de se “melhorar a eficiência, a qualidade, a regularidade, a frequência dos transportes”.

“É preciso haver mais [oferta], com mais horários prolongando os mesmos. É preciso um investimento profundo e exigente do ponto de vista financeiro”, sublinhou o responsável.

Para Carlos Humberto Carvalho, só “um esforço conjunto” entre a Área Metropolitana de Lisboa, os operadores - públicos e privados - e o Governo, através da administração central, mudará o panorama.

“Sem estes três patamares, não é possível atingir”, reiterou, lembrando que 2019 “pode ser um ano melhor, mas os resultados só serão mais palpáveis em 2020”.

Para o presidente do conselho diretivo da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados e Passageiros, Luís Cabaço Martins, a principal preocupação dos operadores é que haja passageiros nos transportes públicos.

Para chamar mais utilizadores, Cabaço Martins indicou a necessidade de se “oferecer um sistema de transporte melhor”, frisando que o que os utentes querem “não é propriamente veículos novos ou bancos em pele - as pessoas querem frequência, fiabilidade, e uma rede que responda às suas necessidades de mobilidade”.

“Temos de perceber que o serviço público de transporte não é normal, económico de mercado, mas sim tem de dar resposta independentemente do seu custo. Tem de se encontrar uma fórmula equilibrada, com apoio da autoridade de transporte, para que se possa oferecer um transporte que interesse às pessoas a um preço razoável, mas sobretudo haver frequência e dimensão para as pessoas terem, no fundo, a resposta de que precisam”, frisou.

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