A associação, filiada na Confederação Nacional de Agricultores, afirma, em comunicado, que a campanha de tomate no Ribatejo está a ser afetada por doenças, obrigando a medidas que estão a encarecer a produção.

Segundo a APPT, a necessidade de aumentar os tratamentos nas “terras e plantas invadidas por fungos e outras mazelas, a fim de se evitar a perda da produção”, elevou os custos de produção de tomate para a indústria, que chegam a atingir os 7.000 euros por hectare.

“Com as doenças a atacarem as produções, os agricultores acabam por dividir as terras para separar o tomate que já está a ser devastado do que ainda se encontra em condições e saudável, na esperança de se conseguir salvar algum produto” e evitar que a doença alastre “por toda a área da exploração”, refere a nota.

A associação adianta como dificuldade acrescida para os produtores “os custos reais de arrendamento da terra ‘à campanha’ praticados na zona irrigada mais próxima a Santarém”, que chegam a atingir os mil euros/ano por hectare, valores que "na lezíria ribatejana mais baixa chegam a dobrar”, representando “um pesado encargo para os seareiros (os arrendatários da terra)”.

A APPT nota ainda que a campanha, que decorre até ao final do mês, até tem tido níveis de produtividade elevados, próximo das 100 toneladas por hectare, mas alega que o preço pago à produção pelas fábricas de transformação “está muito baixo”.

“Nesta campanha, e apesar dos problemas tidos com a cultura, os preços à produção oscilam entre 70 e 85 euros por tonelada, dependendo da qualidade apresentada à entrada da fábrica”, o que, considera a associação, “não compensa os produtores de tomate pelo investimento feito”.

A APPT refere também a necessidade de valorização do trabalho do agricultor, sublinhando que os rendimentos permanecem baixos, mesmo juntando a ajuda direta do Regime de Pagamento Base, atualmente na ordem dos 240 euros por hectare.

“Portanto, o balanço a esta campanha é negativo”, afirma a nota, admitindo a APPT que o número de produtores de tomate para a indústria possa vir a diminuir, dado ser “insustentável produzir com tão baixos rendimentos” e enfrentar “as pragas e doenças”.

Perante este quadro “difícil”, mesmo admitindo que “ainda há a esperança de existirem melhorias neste setor”, a associação “reclama apoios excecionais a atribuir pelo Governo e pela União Europeia”.

Em concreto, pede a atribuição de ajudas específicas aos pequenos e médios produtores de tomate para a indústria, para apoio aos tratamentos fitossanitários desta cultura e para compensar as baixas de preços na produção.

A associação reclama ainda o reforço da ajuda do Regime de Pagamento Base ao hectare, até aos 350 euros/ano, e o “combate à especulação com o preço do arrendamento de terras na região”.

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