De acordo com testemunhas entrevistadas pelo jornal Aftonbladet, entre 50 a 100 pessoas, mascaradas e encapuzadas, marcaram um encontro à noite, em Sergels Torg, uma grande praça da capital sueca, frequentada por jovens e migrantes menores não acompanhados por adultos.

As testemunhas afirmaram que os agressores molestaram "pessoas de aparência estrangeira" e distribuíram um folheto sem assinatura, que tinha como mensagem impor às "crianças norte-africanas nas ruas a punição que merecem".

"Eu estava a passar, quanto vi um grupo vestido de preto, mascarado (...) que começou a bater em estrangeiros", relatou uma testemunha. "Eu vi três pessoas a serem agredidas".

Informadas sobre "um plano para agredir migrantes menores de idade não acompanhados no centro de Estocolmo", as autoridades reforçaram a segurança em locais estratégicos. Um homem de 46 anos foi preso depois de agredir um polícia à paisana.

Três pessoas com idades entre os 20 e os 30 anos foram detidas por perturbar a paz e libertadas de seguida. Outra pessoa, com posse de uma arma branca, vai ser processada por porte de arma proibida. A investigação por "associação para cometer violência com agravante" irá permitir identificar os indivíduos ou organizações por detrás dos ataques.

Embora a polícia tenha expulsado rapidamente os agressores, as imagens causaram reações em todo o país. "O que está a acontecer na Suécia?", questionava neste domingo o jornal Expressen, enumerando vários incidentes como albergues incendiados ou a animosidade entre as diferentes comunidades.

Primeiro-ministro debaixo de fogo

Todos os jornais, de esquerda e direita, apontam como responsável o primeiro-ministro social-democrata Stefan Löfven, que chegou a índices mínimos de popularidade, condenando-o por ter minimizado os efeitos da onda migratória.

"Os que se atreveram a pôr em dúvida a relação entre o número de pessoas que chegaram e a capacidade de acolhê-las bem e integrá-las foram acusados de pessimismo e de fazer o jogo da extrema direita", escreveu o jornal Svenska Dagbladet, que defendeu esta linha de pensamento nos últimos meses.

Num editorial de 26 de janeiro, o jornal de centro-direita defendeu a expulsão de delinquentes estrangeiros, uma proposta que vem na sequência da reação causada pelo assassinato da jovem Alexandra Mezher, a 25 de janeiro.

A jovem de 22 anos foi esfaqueada por um adolescente de 15 anos, num abrigo para menores desacompanhados em Mölndal, nos arredores de Gotemburgo.

"Nunca tinhamos pensado que isto seria possível na Suécia. Consideramos que a responsabilidade é do o governo sueco e do primeiro-ministro", afirmou o tio da vítima, em entrevista à AFP.

O site Nordfront, da responsabilidade do movimento neonazi SMR, afirmou na sexta-feira à noite que uma "centena de hooligans" dos clubes AIK e Djurgården estavam prontos para "fazer o trabalho doméstico entre os migrantes criminosos do Norte da África".

Fontes da polícia, citadas pelo jornal Aftonbladet, confirmam a suspeita contra esses grupos radicais.

Em 2015, 163 mil refugiados pediram asilo na Suécia. O ministro do Interior, Anders Ygeman, anunciou na quarta-feira que o país pretende expulsar quase metade destes migrantes, cujo pedido de asilo tenha sido ou venha a ser rejeitado.

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