O anúncio foi feito na Praça do Município, com a Câmara de Lisboa como pano de fundo, tendo João Cotrim Figueiredo explicado que esta decisão, que assumiu não ser fácil, já foi dada a conhecer a Carlos Moedas.

A decisão foi tomada pela Comissão Executiva que hoje se reuniu, por proposta do núcleo de Lisboa da Iniciativa Liberal, tendo sido anunciado igualmente o nome que vai ocupar o segundo lugar na lista dos liberais, Ana Pedrosa-Augusto, que foi vice-presidente eleita no primeiro congresso do Aliança.

“Que não fiquem dúvidas nenhumas: é uma decisão difícil, mas certa e que o grande objetivo que temos ao tomá-la é tirar da câmara o PS que há 14 anos a governa e o atual presidente que há seis anos a governa”, sublinhou o presidente e deputado dos liberais.

Para Cotrim Figueiredo, “a decisão não é fácil porque a maior parte dos partidos tem uma tentação de ter sucessos eleitorais imediatos”, uma tentação que garante que a Iniciativa Liberal não tem.

“Esta é a decisão certa porque sabemos que esses sucessos eleitorais só têm significado se forem conseguidos sem atalhos e com incoerência”, argumentou.

Na perspetiva do líder liberal, a conquista de mandatos e lugares deve ser feita, “não mudando apenas caras, mas mudando políticas e sobretudo forma de fazer política”.

“Esta decisão não foi fácil porque tem óbvios riscos mediáticos e óbvios riscos eleitorais, mas é a decisão certa porque a Iniciativa Liberal sabe que, sem a coragem que correr esses riscos implica, nada desses sucessos significam alguma coisa e não estaremos aqui, daqui por seis meses, a anunciar uma vitória eleitoral da IL”, acrescentou.

Lisboa é atualmente, segundo Cotrim Figueiredo, “uma cidade sem ambição, uma câmara com demasiada burocracia, com demasiadas lógicas clientelares de exercício do poder”.

“[Lisboa] precisa de ser muitíssimo corajosa como aquilo que esta nossa decisão representa também”, antecipou.

À agência Lusa, no início da semana, fonte liberal tinha adiantado que as conversações entre o candidato social-democrata à Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, e a Iniciativa Liberal para uma eventual coligação iriam continuar, depois de uma primeira reunião na segunda-feira.

IL diz que não houve “discussões de mercearia e cargos” com o PSD

A Iniciativa Liberal recusou que tenha havido conversações “de mercearia ou cargos” com o PSD sobre a Câmara de Lisboa, mas apenas discussões com Carlos Moedas, considerando que uma grande coligação não muda a forma de fazer política

“Tivemos discussões profundas, que aproveito para agradecer, com o Carlos Moedas, mas não tivemos sequer discussões com o PSD. Não houve discussões de mercearia, não houve discussões de cargos”, assegurou.

Para o presidente liberal, “uma frente com mais de meia dúzia de partidos” à Câmara de Lisboa “não é uma lógica suficientemente fresca, inovadora, moderna de promover essa alteração na forma de fazer política em Portugal”.

“Correndo os riscos que acabei de resumir que vamos correr, preferimos fazer esta afirmação sozinhos, com o objetivo claro de tirar Fernando Medina do poder, mas sem prescindir da nossa capacidade de afirmar que é possível fazer política de forma diferente em Portugal”, defendeu.

Confrontado com a possibilidade de perder votos para essa coligação encabeçada pelo antigo comissário europeu Carlos Moedas, João Cotrim Figueiredo respondeu: “A Iniciativa Liberal não é dona dos votos de ninguém”.

“Quem gosta do projeto liberal para Portugal vai olhar para esta candidatura e vai achar que se vai rever nesta candidatura. É muito elogioso todos nos namorarem e quererem a nossa colaboração, mas isso não nos desviar do nosso caminho”, enfatizou.

Sobre na base da decisão poder estar também não querer deixar ao Chega todo o espaço da direita, caso os restantes partidos desse espetro se juntassem todos numa coligação, o também deputado liberal começou por responder que provavelmente o seu partido é o único que não adota as estratégias em função do partido de André Ventura.

“Não, não olhamos para isso”, disse apenas.

[Notícia atualizada às 15:32]

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