Nas declarações políticas de hoje, o BE, pela voz da deputada Isabel Pires, defendeu que, em tempo de desconfinamento, “um dos maiores desafios é a forma como se organizam os transportes públicos para garantir a mobilidade da população em segurança”, considerando que estas condições de segurança não estão criadas no transporte ferroviário, uma preocupação acompanhada pelos vários partidos que intervieram neste debate.

“Por isso demos já entrada de um projeto de resolução com soluções que devem ser implementadas o mais rapidamente possível. É preciso garantir, no imediato, que seja colocada toda a capacidade existente nas linhas mais sobrelotadas, como Azambuja e Sintra”, defendeu.

Por outro lado, o BE propõe que o Governo e as autoridades de transporte articulem “opções complementares rodoviárias nos mesmos percursos, por forma a garantir que não há sobrelotação das carruagens”, avisando que os portugueses não estão “todos no mesmo barco”.

Nos pedidos de esclarecimento, o deputado social-democrata Carlos Silva afirmou que “é mesmo com muita preocupação que o PSD está a ver esta fase de desconfinamento”.

O PSD avisou que se os transportes da Área Metropolitana de Lisboa estão com estas dificuldades numa altura em que “só foram adquiridos 20% dos passes sociais”, daqui a um mês, com muitas mais pessoas a deslocarem-se, a situação vai agravar-se.

Na perspetiva do PSD, apesar de haver um esforço por parte do Governo, este “está a ser imprudente nesta matéria”.

Apesar das preocupações partilhadas, o PS, através do deputado Ricardo Leão, considerou que o BE concordaria que “esta situação específica dos transportes não se deve a falhas nem do Governo nem do parlamento”, defendendo que a “redução de oferta é mais uma consequência desta crise pandémica” e que a enorme redução de receita devido ao confinamento “está a criar enormes problemas de tesouraria” a estas empresas.

O deputado socialista apontou os anos de “total desinvestimento nos transportes públicos” nos anos dos governos PSD/CDS-PP, recordando que foi o anterior executivo do PS, apoiado pela esquerda parlamentar, que criou o Programa de Apoio à Redução Tarifária nos Transportes Públicos (PART), que “levou as pessoas a acreditarem” nesta forma de mobilidade.

Pelo PCP, o deputado Bruno Dias começou por recordar que desde o início do surto que os comunistas vêm “alertando para estes problemas”, considerando que há uma “situação urgente e preocupante” nos transportes.

“Os problemas começaram a surgir antes do desconfinamento”, criticou, defendendo que “um vírus tão pequeno não pode ter as costas assim tão largas”.

Já Inês Sousa Real, do PAN, lamentou que os alertas do PAN para esta questão não tenham surtido efeito, o que levou a “uma reabertura atabalhoada da economia”, considerando que “o caso dos transportes públicos é demonstrativo que as respostas do Governo ficaram aquém”, uma vez que os passageiros estão a viajar como “sardinhas em lata”.

Pelo PEV, o deputado José Luís Ferreira recordou que antes desta crise sanitária, Portugal iniciou “um caminho muto interessante nos transportes públicos”.

“Temos agora uma preocupação. Se não houver um aumento de oferta, deitamos tudo a perder porque estamos a empurrar as pessoas para o transporte individual”, advertiu.

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