"Portugal pode e deve ter um papel central nas escolhas complexas que a Europa tem de tomar nos próximos tempos", declarou o comissário europeu, que participou hoje na sessão de abertura do seminário diplomático, iniciativa anual do Ministério dos Negócios Estrangeiros que reúne em Lisboa, durante dois dias, os embaixadores portugueses e membros do Governo e representantes da sociedade civil e dos meios empresarial e académico.

O responsável da Comissão Europeia avisou que 2016 foi um ano difícil para a Europa, mas este ano será "ainda mais intenso".

"Com tantos países europeus confrontados com a ameaça de populismo e com tantas lideranças europeias com falta de memória sobre os benefícios do projeto europeu, países como Portugal têm hoje uma obrigação acrescida de salientar e defender as múltiplas conquistas da União Europeia", sustentou.

Carlos Moedas avisou que, hoje, apontar os "benefícios tradicionais da União Europeia (UE), a paz e a prosperidade, já não chega" e admitiu estar surpreendido com o euroceticismo e a "ignorância sobre a total perda de influência global da Europa no mundo".

"O que mais me surpreende é que, num mundo cada vez mais complexo e competitivo, alguns decidam, por referendo, regressar e retrair-se às suas fronteiras, em vez de abraçar um projeto de bloco regional", lamentou, numa referência à saída do Reino Unido da UE, decidida no ano passado por referendo.

Carlos Moedas deixou o alerta: "O mundo está a mudar, a posição da Europa no mundo mudou e nós não nos apercebemos".

"O caminho que devemos seguir é unir e agregar? ou dividir e fragmentar? Penso que a resposta é óbvia e Portugal tem aí um grande papel", disse, referindo como Portugal sempre conseguiu "prosperar por via de grandes alianças e uma grande dose de pragmatismo".

Para Carlos Moedas, "um bom desígnio para Portugal e para a Europa de 2017 é reforçar-se no mundo pela sua diferenciação, pelos seus valores" e pela "ilustração de que a união e a partilha da soberania fazem a força".

O comissário europeu defendeu que o projeto europeu "é uma forma esclarecida de abdicar de parte da soberania em troca de um interesse superior, a prossecução do bem comum".

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