"Manifestar, uma vez mais, a preocupação e constatação da precipitação e da falta de organização deste Governo. O primeiro-ministro está claramente envolvido nesta decisão e deve responder por ela. Isto não descansa os portugueses. Um Governo que decide desta maneira não nos pode, de forma alguma, tranquilizar", afirmou.

A parlamentar centrista, acompanhada pela vice-presidente da Assembleia da República Teresa Caeiro, fez estas declarações após uma visita às instalações daquela Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde e reuniões com a administração e a comissão de trabalhadores de cerca de 02:30 horas, vincando: "um Governo que governa assim governa mal" e "esta forma de decidir, impreparada, não pode merecer o aval do CDS".

As deputadas democratas-cristãs mostraram-se favoráveis à descentralização em geral, mas desde que com um processo e estratégia claros e discutidos, criticando ainda eventuais "estudos à posteriori" anunciados pela tutela sobre esta anunciada transferência da instituição em causa.

O executivo socialista anunciou a decisão depois de Bruxelas ter escolhido Amesterdão para nova sede da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), em detrimento de outras cidades concorrentes como o Porto, a fim de acolher a instituição até agora sediada em Londres.

"Não há estudos que fundamentem a decisão, nenhuma evidência de benefício, antes pelo contrário - há evidência de prejuízo para Portugal. Qualquer que seja a cidade envolvida, não podemos tomar decisões que prejudiquem o país, os trabalhadores e a credibilidade do Infarmed. São coisas demasiado preciosas para que o primeiro-ministro e o ministro da Saúde não as tenham na devida conta", insistiu Galriça Neto.

A parlamentar do CDS-PP elogiou o "profissionalismo e empenho" tanto dos responsáveis diretivos como dos funcionários da instituição" e alertou para "o património que leva anos a construir" em que consistem as equipas de especialistas já formadas e sua preparação.

"Esta visita corroborou o que já sabíamos: estar perante um instituto público da maior qualidade, com uma relevância europeia que muitos portugueses não conhecem, é um valor acrescentado para Portugal", continuou.

Segundo a deputada centrista, "houve uma completa impreparação, uma precipitação a nível governativo, numa decisão que não está assente em qualquer estudo e pode implicar perda de verbas para Portugal, a captura de profissionais por parte de empresas do setor privado e prejudicar grandemente a saúde pública portuguesa".

Isabel Galriça Neto prometeu "colocar várias questões" ao ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, que vai ser ouvido na comissão parlamentar de Saúde, previsivelmente ainda esta semana, precisamente sobre este assunto.

[Notícia atualizada às 15:12]

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