“O combate à corrupção não se vai fazer pelos mesmos de sempre, não acreditem nessas quimeras. Aqueles que se vão eternizando no poder para salvar o seu cargo, para se servirem das funções públicas, esses não têm mais nada a oferecer do que meramente ilusões aos eleitores”, disse Francisco Rodrigues dos Santos.

Para o líder do CDS/PP, que falava na apresentação da candidatura de José Calado à Câmara de Palmela pela coligação CDS/PP-MIM (Movimento Independente para a Mudança), o combate à corrupção não se fará por aqueles que vão colonizando e se servem da máquina do Estado, mas por quem não está dentro do sistema e apresenta soluções razoáveis para os problemas e tem protagonistas credíveis para a sociedade.

“Nós sabemos - e ainda ontem [sexta-feira] saiu uma notícia no jornal El Mundo - que Portugal é o país da Europa que menos combate a corrupção. Nós já tínhamos visto no índice de perceção que Portugal ocupava em 2020 o valor mais baixo de sempre. É preciso fazer mais no combate à corrupção, não podemos estagnar esse combate”, defendeu.

“Esse combate também começa nas autarquias, que são uma grande fonte de promiscuidade entre a política, os negócios e também, muitas vezes, a magistratura. Estas notícias envergonham-nos enquanto cidadãos”, acrescentou o líder do CDS/PP. Na apresentação da candidatura do CDS/PP-MIM à Câmara de Palmela, que decorreu na Praça da Independência, no Pinhal Novo, Francisco Rodrigues dos Santos referiu também que o CDS/PP pediu uma audiência ao Presidente da República face ao alegado desrespeito da Constituição pelo atual ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.

“Nós propusemos a demissão imediata do ministro Eduardo Cabrita, como já o fizemos no passado, porque vai acumulando situações desastrosas e escandalosas, mas também pedimos uma audiência ao senhor Presidente da República, porque na sua tomada de posse jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição”, disse.

“E a nossa Constituição defende a dignidade da pessoa, a dignidade daqueles trabalhadores, não interessa se são portugueses ou são estrangeiros. Nós somos um partido personalista que defende a dignidade de todas as pessoas e não estavam cumpridas condições de trabalho nem de habitabilidade daqueles trabalhadores. O Governo devia ter agido quando recebeu denúncias. Não o fez e violou a dignidade da pessoa humana consagrada na Constituição”, justificou o líder do CDS/PP.

Francisco Rodrigues dos Santos referiu ainda o alegado desrespeito das normas constitucionais, por parte do ministro da Administração Interna, com a requisição civil do empreendimento turístico ZMAR para alojar imigrantes que trabalham em atividades agrícolas e vivem em condições desumanas na zona de Odemira, no litoral alentejano, e insistiu no pedido de demissão imediata do governante.

“Ontem [sexta-feira], ouvi o senhor ministro Eduardo Cabrita, num tom muito inapropriado, eu diria até a roçar a 'ordinarice', a referir-se em termos menos próprios ao nosso partido, quando nós exigimos, e bem, a sua imediata demissão”, disse Francisco Rodrigues dos Santos, reiterando a ideia de que Eduardo Cabrita não tem condições para continuar a exercer o cargo.

“Portugal não pode continuar a ter um ministro 'aqui vai disto', um ministro que não tem dignidade institucional nem educação para o exercício das suas funções públicas. Eduardo Cabrita, para além de violar a nossa Constituição e os mais básicos direitos fundamentais, não mostra qualquer tipo de respeito pelos portugueses nem pelos partidos democraticamente eleitos pelos portugueses”, disse o líder do CDS/PP, depois de recordar diversos casos polémicos relacionados com o Ministério da Administração Interna.

“Nós estamos recordados que esta questão do ZMAR é apenas a ponta do icebergue, de um barco que está completamente à deriva na Administração Interna. Nós lembramo-nos do escandaloso resultado que foi o caso do SEF [Serviço de Estrangeiros e Fronteiras]. Lembramo-nos das golas antifumo, lembramo-nos da compra dos helicópteros Kamov, nós lembramo-nos das condições deploráveis que este ministro entrega às nossas forças de segurança, nós lembramo-nos perfeitamente da vergonha que é ter uma eleição e aparecer no boletim de voto alguém que nem poderia ser candidato, porque não cumpriu as formalidades”, elencou.

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