O comando-local da Polícia Marítima de Faro anunciou hoje a apreensão de 35 quilos de pepinos do mar,  um parente próximo das estrelas e ouriços do mar, sem grande valor comercial em Portugal, mas que chega a ser vendido no mercado internacional a 200 euros por quilo, durante uma ação de fiscalização na Ria Formosa-Praia de Faro, no Algarve.

A Polícia Marítima adianta, num comunicado, que os espécimes, que estavam vivos, foram apreendidos na quarta-feira na posse de dois pescadores lúdicos e devolvidos ao seu habitat natural. Os pescadores vão ser alvo de processos contraordenacionais devido ao excesso de peso da captura, já que ultrapassaram o limite legal de capturas diárias de dois quilos por praticante.

Os pepinos do mar são bastante apreciados pela comunidade asiática e chegam a ser transacionados entre 150 a 200 euros por quilo, refere o mesmo comunicado. São tradicionalmente usados, secos, na medicina tradicional chinesa e na alimentação.

É muito utilizado na cozinha asiática, sendo uma iguaria em países como a China, o Brasil, o Japão e a Malásia. Na medicina tradicional chinesa são usados para tratar uma série de problemas de saúde - geralmente consumidos com arroz branco - incluindo fadiga, impotência e dor nas articulações, devido às propriedades dos carboidratos complexos presentes no valor nutricional dos equinodermes, classe biológica em que são incluídos.

O pepino do mar contém também elevados níveis de sulfato de condroitina, um componente principal da cartilagem. A condroitina existe naturalmente na zona articular mas pode a certo momento estar em quantidades muito baixas por desgaste articular. A perda de sulfato de condroitina é associada com a artrite, e o uso de extracto de pepino do mar pode ajudar a reduzir a dor articular associada com esta condição. O pepino do mar supostamente também contém compostos anti-inflamatórios.

Estes animais lentos que vivem no fundo do mar, na areia ou na lama, alimentam-se de matéria orgânica misturada com a areia, que apanham com os tentáculos retráteis presentes ao redor da boca.

A polícia marítima realiza regularmente este tipo de acções de fiscalização e têm sido identificados vários pescadores e mergulhadores na apanha ilegal do pepino do mar. No Algarve, encontram-se sobretudo junto às ilhas da Armona e da Culatra, que é também onde se evidencia a maior redução da espécie e até o risco de desaparecimento.

A quantidade permitida de apanha de pepinos do mar é até 2 quilos por pessoa, tendo em vista evitar a depredação desta espécie e o consequente desequilíbrio do ecossistema marinho, mas o valor elevado a que são vendidos torna-os especialmente apelativos.

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