Em entrevista à agência Lusa, o atual vice-presidente da ASPP/PSP e único candidato às eleições para a direção da associação sindical mais representativa da PSP, que se realizam na quinta-feira, traça as linhas mestras para o mandato de quatro anos.

“Continuar a dialogar com a tutela, com o Governo, com a Direção Nacional [da PSP], em termos mais locais, com os seus comandantes da forma que tem sido a intervenção da ASPP nos últimos anos, olhos nos olhos, de forma assumida, frontal, transparente e sempre com um espírito de contribuir e [com] propostas como sendo contributos para resolver os problemas dos polícias”, revela.

Paulo Santos diz, contudo, que a ASPP estará disponível para ouvir os polícias e definir as lutas que entendam ser necessárias travar.

“Obviamente que estas lutas nunca poderão extravasar aquilo que são as balizas determinadas pela lei sindical e pela demais legislação. Agora, poderemos imprimir alguma contundência na luta, até porque temos razões e há um desânimo brutal por parte dos profissionais, que têm tido várias expectativas goradas, têm vários anseios, têm tido vários governos que não têm respeitado aquilo que são as promessas que são feitas”, critica o dirigente sindical.

O futuro líder da ASPP, de 43 anos, lembra que “há uma responsabilidade que é colocada diariamente em cima dos ombros dos polícias”, que não tem correspondência nem se vê “da parte dos governos e, muitas vezes, da parte da Direção Nacional [da PSP] e dos superiores uma atenção especial para com os polícias”.

“Se houver razões, que acho que já as temos, para imprimir uma dinâmica de luta mais contundente, estaremos disponíveis para isso, mas nunca ultrapassando aquilo que são os princípios da intervenção e da ação sindical séria que é aquilo que a ASPP sempre foi e será”, garante.

Em relação às manifestações, Paulo Santos diz que “são um instrumento da intervenção e da ação sindical” que estará sempre em cima da mesa como uma forma de luta, apesar de haver outras.

“Poderemos, caso a caso, e avaliar junto dos polícias, depois de os auscultar, perceber qual é que será a forma de luta mais assertiva naquele determinado momento. Mas, obviamente, que a manifestação é uma forma de protesto que está na génese da ASPP e dos sindicatos”, recorda o ainda vice-presidente da ASPP, no cargo há seis anos.

Paulo Santos contou que andou em campanha pelo país a ouvir os profissionais da polícia e chegou à conclusão de que há um ponto comum a todas as zonas e a todas as valências da PSP: “Há um desacreditar naquilo que foram as políticas dos últimos anos”.

“A ASPP tem tido durante estes anos um contributo fulcral naquilo que são as negociações que temos tido com os governos, e também junto da Direção Nacional [da PSP], e, muitas vezes, aquilo que sai cá para fora não corresponde àquilo que é negociado e que é aquilo que é anunciado pelos governos”, denuncia o dirigente sindical.

Entre as principais queixas, Paulo Santos afirma que “há um desânimo geral” relativamente à pré-aposentação e ao incumprimento do estatuto profissional nessa matéria.

Os “salários muito baixos”, em função das exigências e da responsabilidade da missão da PSP, e “uma falta de identificação que acontece muitas vezes com a cadeia de comando e com os políticos que têm a incumbência de gerir a parte da administração interna”, são outras das principais preocupações no seio dos profissionais da PSP.

“E depois há um problema que também é fulcral que tem a ver com a forma como a sociedade civil tem avaliado e, muitas vezes, a comunicação social tem avaliado aquilo que é o trabalho dos polícias no terreno. E há alguma falta de conhecimento por parte de quem avalia aquilo que é a ação e a intervenção policial, e essa falta de conhecimento, por vezes, transmite cá para fora algo que não corresponde àquilo que é exatamente o que se passa no terreno, e isso desmotiva muito os profissionais da PSP”, lamenta o futuro presidente da ASPP.

Sob o lema “Razão e Coesão”, Paulo Santos diz que os polícias “têm a razão do seu lado e todas as razões” para continuarem a lutar pelos seus direitos.

Com a coesão, o futuro presidente da ASPP pretende dar enfoque à “família policial”, uma condição que se foi perdendo.

“Consideramos que tanto a união como a coesão não são valores que apenas se divulgam, que se usem como retórica, mas pretendemos junto daqueles que são polícias, desde aos agentes, aos chefes ou aos oficiais, ver na ASPP um espaço coeso e que possa lutar pelos seus direitos”, garante o dirigente.

Paulo Santos toma posse como presidente da ASPP em 16 de dezembro.

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