Numa conferência de imprensa, Mike Hawes disse que os custos aumentaram com transportes após a saída do mercado único em 31 de dezembro 2020 e entrada em vigor do novo Acordo de Comércio e Cooperação entre Reino Unido e União Europeia (UE) em 01 de janeiro deste ano.

“Neste momento são mais altos porque alguns construtores estão a transportar componentes via aérea para manter a produção em movimento. Em termos de custos administrativos, como licenças de importação e exportação, há quem calcule que correspondam a um custo de uma tarifa de 2-3%”, disse aos jornalistas.

O jornal Sunday Times noticiou há duas semanas que a Jaguar Land Rover, Nissan e Vauxhall (Opel) tiveram de parar a produção no início do ano devido à falta de peças.

Hawes acredita que as coisas deverão melhorar “quando os sistemas estiverem a funcionar de forma mais eficiente”, mas acredita que vai continuar a existir atrito no movimento de mercadorias com a UE, o principal mercado das exportações da indústria automóvel britânica, embora o acordo tenha garantido o acesso mútuo sem quotas nem taxas aduaneiras.

“Não são só problemas de adaptação, esta é a nova realidade a que a indústria tem de se habituar. (…) Vão existir custos adicionais no futuro próximo e isso afeta a nossa competitividade e coloca pressão nos construtores para aumentar produtividade”, vincou.

No ano passado, a produção de automóveis no Reino Unido caiu 29,3% para 920.928 unidades, o volume mais baixo desde 1984, sendo a pandemia covid-19 a principal responsável pelo declínio, embora a incerteza relacionada com o Brexit também tenha afetado a atividade, nomeadamente o investimento.

Destes automóveis, 31 mil eram elétricos e 107 mil híbridos.

A UE recebeu 53,5% do total dos veículos exportados, menos 30,8% do que no ano anterior, enquanto o segundo maior mercado, os Estados Unidos (17,7% das exportações), comprou menos 33,7% carros do que em 2019.

O melhor desempenho foi na Ásia, onde a China, terceiro maior mercado, representativo de 7,6% das exportações, cresceu 2,3%, enquanto as vendas para a Coreia do Sul aumentaram 3,6% e para Taiwan 16,7%.

O acordo de comércio com a UE salvaguardou a indústria de eventuais tarifas que poderiam ir até 10%, mas obriga ao preenchimento de mais declarações e formulários e vai apertar as regras em termos de origem dos componentes.

A quantidade de componentes não originários do Reino Unido ou UE vai ser reduzida gradualmente para 45% em 2027, o que vai obrigar a um grande investimento na produção local de baterias, um dos principais componentes dos carros elétricos.

“Até 2024, quando as regras começarem a ser mais apertadas, vamos ter capacidade de 15 GW. Até 2030, precisamos de uma capacidade de 60 GW para manter o nível de produção necessário no Reino Unido, o equivalente a mais três ou quatro fábricas”, disse Hawes.

A japonesa Nissan, que tinha de sair do Reino Unido se o acordo pós-Brexit não fosse favorável, anunciou recentemente que vai ficar e aumentar a capacidade para a produção de baterias na unidade britânica, onde já produz o carro elétrico Leaf, mas com baterias importadas do Japão.

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