Debbie Wasserman Schultz, presidente do Partido Democrata, anunciou no domingo a sua renúncia, depois do site Wikileaks ter revelado um conjunto de emails comprometedores, segundo os quais a máquina partidária procurou favorecer Clinton contra Bernie Sanders nas primárias.

O FBI anunciou que já está a investigar o ataque informático.

Os democratas queriam aproveitar a convenção para transmitir a imagem de um partido unido e preparado para as eleições presidenciais de novembro, contrapondo esta imagem com a da convenção republicana que consagrou o polémico Donald Trump como candidato oficial do partido à Casa Branca.

Trump não é um candidato consensual dentro do seu próprio partido. Exemplo disso foi a recomendação do republicano Ted Cruz, que pediu aos americanos que “exerçam o voto com consciência”, e que não expressou claramente o seu apoio ao magnata.

Mas a aproximação da convenção democrata, que contará com a participação de milhares de delegados de todos os estados, foi abalada sexta-feira com a publicação pelo site WikiLeaks de quase 20 mil emails internos de líderes do partido, que mostram uma postura favorável a Hillary nas primárias.

Este aparente favoritismo foi algo que o ex-concorrente de Hillary, Bernie Sanders - que falará esta segunda-feira na convenção - já tinha denunciado em várias ocasiões.

Horas antes, Sanders voltou a criticar a parcialidade da liderança do partido no processo das primárias, que sempre considerou injusto para um "outsider" como ele: "O partido esteve do lado de Hillary Clinton desde o primeiro dia", disse à NBC.

Derrotar Trump

Mas o senador de Vermont preferiu não converter esta controvérsia em um 'casus belli'.

Antecipando o conteúdo do seu discurso, Sanders pediu aos seus relutantes apoiadores que votem em Hillary. O objetivo é barrar o avanço de Donald Trump rumo à Casa Branca.

"Temos que derrotar Donald Trump. Temos que eleger Hillary Clinton e Tim Kaine", disse o senador por Vermont durante um comício celebrado horas antes da abertura da Convenção Nacional Democrata.

"Trump é um valentão e um demagogo", disse Sanders, cujo pedido de apoio a Hillary foi recebido com gritos de "nós queremos Bernie!".

Pessoas próximas a Clinton sugeriram que os hackers russos  - que se acredita que tenham roubado as mensagens - fizeram isso "para ajudar Donald Trump". "É preocupante", reconheceu o seu diretor de campanha, Robby Mook, à rede de televisão ABC.

Uma pesquisa realizada pela CNN, e divulgada esta segunda-feira, mostra Trump à frente de Hillary num cenário de duelo entre os dois. No confronto direto, Trump tem uma vantagem de 48% contra 45% das intenções de voto.

Apesar das altas temperaturas, o centro da Filadélfia foi tomado no domingo por milhares de manifestantes. As camisas e os cartazes a favor de Sanders eram onipresentes. Muitos dos seus apoiantes encararam o caso do WikiLeaks como uma confirmação das suas suspeitas: "As mensagens demonstram o que sabíamos desde o início", disse Dora Bouboulis, procedente de Vermont.

Mas os eleitores de Sanders apoiam Hillary em grande medida, segundo as pesquisas.

As novas promessas e os pesos pesados do Partido Democrata - entre eles o presidente Barack Obama e o ex-presidente Bill Clinton - vão discursar ao longo dos quatro dias de convenção, realizada no Wells Fargo Center.

Os oradores vão defender a experiência e a competência de Hillary Clinton, que foi primeira-dama, senadora e secretária de Estado, e vão denunciar o discurso de divisão de Donald Trump.

"Na próxima semana na Filadélfia vamos oferecer uma visão muito diferente do nosso país", prometeu Hillary, de 68 anos, num evento em Miami no sábado, que contou com o seu braço direito na Corrida à Casa Branca, Tim Kaine, senador pela Virgínia.

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