Choi Soon-sil, que prestou declarações na segunda-feira, em Seul, “encontra-se num estado psicológico extremamente instável e poderia ocorrer algo inesperado se fosse libertada”, indicaram os delegados do MP à agência noticiosa sul-coreana Yonhap.

O Ministério Público acredita que, caso ficasse em liberdade, a mulher, de 60 anos, poderia tentar fugir do país ou destruir provas sobre o caso de alegada corrupção e tráfico de influências em que se suspeita estar envolvida.

Choi, que negou todas as acusações que lhe são imputadas, não desempenha qualquer cargo público, mas terá alegadamente exercido durante anos influência sobre a Presidente sul-coreana, Park Geun-hye, sendo acusada de se ter aproveitado desra relação pessoal para aceder a documentos confidenciais e intervir, de forma oculta, em assuntos de Estado.

O Ministério Público também acredita que, utilizando os seus laços com Park, pressionou empresas a doarem subvenções a dois organismos estatais (as fundações Mir e K-sports), e apropriou-se, posteriormente, de parte dos fundos.

As autoridades têm agora 48 horas para solicitar que a detenção se torne permanente.

Choi e Park são amigas há 40 anos.

Este “Choi Soon-sil Gate” desencadeou a maior crise política que a Presidente Park enfrentou desde que assumiu o poder em 2013.

Milhares de pessoas — 100 mil segundo a organização e 4.000 de acordo com a polícia — manifestaram-se no sábado no centro da capital sul-coreana, Seul, para pedir a demissão da chefe de Estado, cujos índices de popularidade atingiram níveis mínimos, mesmo depois de um pedido de desculpas de Park.

A indignação, incluindo de membros do seu partido, tem por base a ideia de que a Presidente foi manietada durante o seu mandato por Choi, comparada pelos meios de comunicação social locais à figura de Rasputin.

Choi Soon-sil, de 60 anos, é filha de Choi Tae-min, que se casou seis vezes, tinha múltiplos pseudónimos e montou a seita religiosa “Igreja da Vida Eterna”. Morreu em 1994 e era ex-mulher de Chung Yun-hoi, que trabalhou como assessor de Park quando esta era deputada, até à sua vitória nas eleições presidenciais em 2012.

Na Coreia do Sul começou a ser questionada a relação tanto da chefe de Estado como de Choi com a referida seita — um culto que mistura várias religiões — e o índice de aceitação da Presidente caiu, por estes dias, mais de 50%, para menos de 20%, segundo as mais recentes sondagens.

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