"Temos um grupo perto de 40 pessoas para as quais estamos a tentar tudo para pô-los em Portugal. São dez portugueses que já estão cá em Buenos Aires à espera de uma saída. Estão muito tranquilos. Depois, há um grupo de 30 portugueses em Ushuaia que está um bocadinho nervoso e que, neste momento, merece mais atenção. Precisamos ver como conseguimos que saiam daqui", descreveu João Ribeiro de Almeida.

A apreensão do grupo de portugueses em Ushuaia aumentou nas últimas horas depois de o governo da província da Terra do Fogo ter anunciado uma quarentena geral que suspende, até 31 de março, toda a atividade pública e privada, industrial, comercial, recreativa e turística. Todos os turistas tentam agora abandonar a ilha.

A partir do primeiro minuto de terça-feira começou o período em que ficam proibidos de chegar à Argentina os voos de toda a Europa, dos Estados Unidos, da Coreia do Sul, do Japão, da China e do Irão. Os voos que partiram desses países antes da meia-noite de segunda-feira ainda poderão aterrar na Argentina e regressar aos seus países de origem. Serão os últimos a levarem os europeus diretamente.

Na quinta-feira, o Presidente argentino, Alberto Fernández, anunciou a suspensão, a partir de hoje e inicialmente por 30 dias, dos voos de toda a Europa, região que classificou como "zona de risco" do novo coronavírus.

"Quando fomos apanhados nesta situação, estavam cá 415 portugueses, segundo a Direção Geral de Migrações da Argentina. Muitos tiveram, obviamente, que interromper as férias. Desde então, temos conseguido, serena e tranquilamente, que todos regressem à Europa, mas alguns não conseguiram ainda voltar a Portugal", indicou o embaixador.

Segundo Ribeiro de Almeida, com a cooperação das agências de viagem, foi possível antecipar o voo de muitos ou canalizar saídas pelo Uruguai e pelo Brasil. Das principais cidades brasileiras partem voos diretos da TAP.

"Cerca de 90% dos casos foram bem resolvidos com a ajuda das respetivas agências de viagem, mas temos agora este último grupo que eventualmente deixará a Argentina, através do Uruguai ou do Brasil. É isso que a agência de viagens deles está a tentar", apontou o diplomata.

Em Buenos Aires, os portugueses ficarão em quarentena até à partida para o aeroporto. Como a Argentina decretou a Europa como zona de risco, todos os que chegaram dessa região nos últimos 14 dias devem ficar isolados preventivamente nos seus hotéis.

A operação para os turistas em quarentena deixarem o país inclui pessoal sanitário coberto com proteção a fazer um exame médico prévio, a esterilizar as roupas e a bagagem e uma escolta policial a acompanhar os turistas até ao aeroporto.

No entanto, também os países vizinhos da Argentina estão a tomar medidas. O Governo do Uruguai anunciou, entretanto, o encerramento hoje de toda a fronteira com a Argentina, tendo o Presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, justificado que a medida foi decidida porque "haviam detetado que estrangeiros que estão na Argentina, principalmente os europeus, viajavam para o Uruguai para regressarem aos seus países".

No domingo, a Argentina anunciou o encerramento total das suas fronteiras a todos os estrangeiros, tendo na segunda-feira outros países da região tomado a mesma decisão, como o Chile, Colômbia e Peru, que colocou as Forças Armadas nas ruas e determinou o recolher obrigatório.

O Paraguai também anunciou medidas restritivas aos estrangeiros. Bolívia e Venezuela já tinham anunciado a suspensão de voos da Europa. Apenas o Brasil continua com as fronteiras totalmente abertas por decisão do Presidente Jair Bolsonaro, contrariando o conselho dos ministros da Justiça e da Saúde.

"Temos poucas possibilidades de fazê-los sair, a não ser através do Brasil que tem sido uma saída para escoar os turistas portugueses", referiu o embaixador Ribeiro de Almeida.

Mas também o Brasil será uma solução por poucas horas para a saída dos portugueses porque o Governo argentino já anunciou que incluiu o Brasil e o Chile na lista de países de risco, com a suspensão de voos.

O embaixador João Ribeiro de Almeida está a coordenar alternativas com a delegação da União Europeia em Buenos Aires porque outros países europeus estão também com cidadãos retidos na Argentina.

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