“As restantes ilhas que não têm transmissão comunitária estão numa situação perfeitamente normal e favorável e aguardamos para ver como vai decorrer em São Miguel, sendo expectável que na próxima semana ou duas semanas ainda encontremos números elevados de casos positivos nesta ilha”, avançou, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.

Só hoje foram detetados 100 novos casos de infeção pelo coronavírus SARS-CoV-2, que provoca a doença covid-19, na ilha de São Miguel, onde se encontram os únicos quatro concelhos do arquipélago com “risco elevado”, segundo o modelo de análise alemão, com mais de 100 casos por 100 mil habitantes, nos últimos sete dias.

A situação levou o executivo açoriano a anunciar a implementação de novas medidas restritivas, durante o novo estado de emergência, apenas na ilha de São Miguel, como a limitação de ajuntamentos na via pública a mais de quatro pessoas, o encerramento de cafés e restaurantes às 15:00 e a implementação do ensino à distância para todos os estabelecimentos de ensino.

Haverá ainda proibição de circulação entre as 23:00 e as 05:00 nos dias de semana e a partir das 15:00 ao fim de semana, o encerramento do comércio local e centros comerciais às 20:00, e a obrigatoriedade de teletrabalho, sempre que as funções e a atividade o permitam para pessoas com mais de 60 anos ou que tenham determinadas patologias.

“Acreditamos que na segunda semana, terceira semana, já vamos assistir a uma diminuição do número de casos e aí sim mostrar que estas medidas surtiram o seu efeito”, salientou Gustavo Tato Borges.

Segundo o presidente da comissão, que é médico de saúde pública, o objetivo destas medidas foi “minimizar a movimentação da população” e “retirar da vida das pessoas momentos em que elas se podem colocar em risco de forma involuntária”.

“Sabemos que o momento de maior risco são contactos próximos sem máscara e à mesa obviamente estamos sem máscaras”, apontou.

Questionado sobre o que provocou este aumento de casos na ilha de São Miguel, o presidente da comissão disse que “a principal razão foi a grande movimentação de pessoas e a existência de casos não diagnosticados que não tomaram as medidas mais cautelosas para se proteger”.

“Há muita gente que acabava por ter sintomas há vários dias e, ou não achou que era importante, achou que era uma gripe ou outra coisa qualquer, ou, então, por medo de ficar em isolamento, acabou por não recorrer de uma forma mais rápida aos serviços, o que fez com que agora se encontrem famílias inteiras positivas”, avançou, apelando à população para que não negligencie os sintomas da covid-19.

O médico de saúde pública disse que não foram tomadas medidas mais restritivas no Natal em São Miguel, porque não era expectável este aumento de casos.

“A ilha Terceira, que tinha também um nível médio de risco antes do Natal, comportou-se de uma forma bastante adequada e, neste momento, tem um nível baixo de risco e o que era expectável era que em São Miguel acontecesse a mesma coisa”, salientou.

Apesar de novos casos positivos serem “bastante mais reduzidos”, a comissão considera que ainda existe transmissão comunitária na ilha Terceira.

Questionado sobre a retoma de festividades populares em 2021, Gustavo Tato Borges disse que têm chegado à comissão vários pedidos de realização de eventos, que serão avaliados “caso a caso” e consoante os planos de contingência, mas ressalvou que, “de acordo com a evolução epidemiológica não é recomendável a sua realização”.

Os Açores têm atualmente 564 casos positivos ativos de infeção pelo novo coronavírus, que provoca a doença covid-19, dos quais 519 na ilha de São Miguel, 39 na ilha Terceira, três na ilha das Flores e três na ilha do Faial.

Desde o início do surto foram detetados 2.346 casos, tendo-se registado 22 óbitos e 1.666 recuperações.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.884.187 mortos resultantes de mais de 87,1 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 7.377 pessoas dos 446.606 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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