Segundo o estudo da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), que analisou o período entre 30 de outubro e 12 de novembro, tem-se verificado “uma redução generalizada na adesão a comportamentos de proteção, incluindo a higiene das mãos, o distanciamento físico e a utilização de máscara”.

Em declarações à agência Lusa, a investigadora da ENSP e coordenadora do estudo, Ana Rita Goes, ressalvou que, apesar desta redução, “as pessoas continuam a aderir bastante a estes comportamentos de proteção”, mas não de uma forma tão sistemática.

Segundo a investigadora, esta mudança de comportamentos é consistente com a evolução epidemiológica, a cobertura vacinal que dá “uma sensação de proteção” e as medidas restritivas que foram alteradas.

“A questão agora é que estamos a observar um agravamento na situação portuguesa do ponto de vista epidemiológico e reconstruir rotinas que as pessoas já tinham muito internalizado pode não ser a coisa mais fácil deste mundo”, disse, considerando ser essencial ajustar a perceção de ameaça, mas também facilitar o regresso aos comportamentos que a população foi sistematizando.

No seu entender, "muito mais do que investir fortemente em obrigatoriedade de restrições, que naturalmente são mais difíceis de integrar pela população (…) é garantir que tudo aquilo que está à volta das pessoas facilita a adoção de comportamentos de proteção”.

"Precisamos novamente de colocar em marcha uma série de mecanismos nos ambientes que recordem as pessoas de uma forma mais sistemática, por um lado, termos sinais, termos os próprios recursos muito disponíveis, como o gel, a sinalética sobre a distância física, os lembretes para a utilização da máscara, mas também do ponto de vista social reforçar-mos um bocadinho esta noção de esforço coletivo que deve ser valorizado", defendeu.

Os dados refletem uma redução gradual no cumprimento do distanciamento físico desde o início de junho. Na última quinzena, cerca de 14% dos participantes reportaram cumprir sempre o distanciamento e 44% a maior parte das vezes. Os investigadores observam que o aumento da mobilidade e as alterações à lotação de espaços podem tornar mais difícil cumprir esta medida.

No caso do uso de máscara no exterior, verificou-se “uma redução substancial” a partir do início de outubro, coerente com o fim da sua obrigatoriedade em setembro, sendo que atualmente apenas 24% dos participantes afirma usá-la sempre, contrastando com os cerca de 40% anteriores.

Nos espaços fechados, embora a maioria reporte continuar a utilizá-la a maior parte das vezes ou sempre (83%), houve uma redução, sendo que na última quinzena apenas 52,6% disse usá-la sempre, contrastando com os cerca de 70% verificados até ao início de setembro

“Este dado sugere que os comportamentos de proteção não são independentes uns dos outros. Cada um de nós foi introduzindo nas suas rotinas estes comportamentos e, com muito treino e pistas no ambiente, fomos sendo cada vez melhores a adotá-los de forma sistemática”, referem.

Contudo, alertam, “quando aligeiramos um deles, corremos o risco de nos ir distraindo com os outros porque, de alguma forma, quebramos as rotinas que fomos instituindo e com elas os automatismos que desenvolvemos”.

“Isto não significa que precisamos necessariamente de imposições, mas que podemos precisar de construir novas rotinas, de novas pistas que nos recordem”, defendem.

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