“O primeiro dia de produção foi na quarta-feira e tivemos de afinar o processo e as máquinas porque produzimos capas para estofos de automóveis e aviões, é algo completamente diferente”, disse hoje à agência Lusa Ana Paula Rufas, responsável dos Recursos Humanos da AUNDE Portugal – Indústria de Confeção de Capas.

Mesmo assim, já com o processo de costura definido, na primeira jornada, “conseguimos produzir 500 máscaras”, mas “hoje já vamos produzir muitas mais”, afiançou, exemplificando: “Até às 10:00 de hoje, já tínhamos costurado quase a mesma quantidade” da véspera.

Ana Paula Rufas, que, em conjunto com outras três pessoas, assegura o comité de gestão da AUNDE Portugal, vincou que o objetivo é fabricar “cerca de 4.000 máscaras de proteção para os profissionais do hospital de Évora”, que cedeu o material.

“Não temos matéria-prima adequada para este tipo de produtos. O hospital é que nos forneceu o material e as máscaras têm um tecido externo e um interno e levam um elástico, mas, como já acabámos a reserva que tínhamos, agora estamos a usar uma fita, que as prende atrás das orelhas”, explicou.

O presidente da Câmara de Vendas Novas, Luís Dias, disse à Lusa ter tido conhecimento, através da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC), “da necessidade de produzir algumas máscaras” para o Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE).

A unidade hospitalar “tinha em ‘stock’ material, mas estava com dificuldade em encontrar quem costurasse o produto final, necessário para os profissionais de saúde utilizarem e para terem uma reserva estratégica”, afirmou.

“No caso de Vendas Novas, temos uma fábrica no nosso parque industrial, cuja profissão é mesmo costurar e, nesse sentido, foram mobilizados estes recursos para a confeção destas máscaras que vão munir o HESE de uma resposta que, de outra forma, não teria em tempo útil”, destacou o autarca.

Segundo Luís Dias, a unidade fabril vai produzir as 4.000 máscaras “nos próximos dois dias” para que “todos os profissionais de saúde do HESE tenham o equipamento necessário” e aquele “que mais falta faz neste momento nos hospitais, que são as máscaras”.

“Nesta fase somos todos mobilizados a ajudar e esta empresa, a AUNDE, foi excecional com a oferta deste trabalho”, elogiou o autarca.

A empresa, de administração turca e parte do grupo multinacional alemão AUNDE, conta na unidade portuguesa com 400 funcionários, dos quais 180 são operadores de costura.

Esta semana não estava a operar, mas acedeu “de imediato” a colaborar no fabrico das máscaras, ao ser contactada pelo presidente da câmara e após reuniões com o HESE, e tem a laborar 26 operadores de costura, disse Ana Paula Rufas.

“Não estamos a cobrar nada. Recebemos o material do hospital e doamos as máscaras. A nossa mão-de-obra é toda por conta da empresa”, frisou.

A pandemia de covid-19 “está a afetar o mundo, Portugal e o Alentejo”, lembrou, vincando: “Nós ficamos muito contentes de dar o nosso contributo para ajudarmos a travar esta pandemia e a suprir necessidades do hospital”.

A pedido do HESE, a AUNDE desenvolveu ainda protótipos de outros equipamentos – cobre-botas e Cogulas (gorros protetores da cabeça e do pescoço) -, que vai agora submeter a análise do hospital, para ver se cumprem os requisitos técnicos.

“Se o hospital aprovar e como nos mandaram, além de material já cortado para máscaras, também material não cortado, ficamos à espera que nos informem das suas necessidades, para ver se produzimos também estes equipamentos”, disse a responsável.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais 480 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram perto de 22.000.

Portugal regista 60 mortes associadas à covid-19, mais 17 do que na quarta-feira, e 3.544 casos de infeção, segundo o boletim epidemiológico apresentado hoje pela Direção-Geral da Saúde. No Alentejo, há 20 doentes diagnosticados, não se tendo ainda registado qualquer morte na região.

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