"As pessoas deste lado da rua estão em Lisboa, mas o comércio é todo aqui do lado de Moscavide (Loures), portanto estão a infringir a lei por um quilómetro [?]. Nesse caso, não se justifica cumprir rigorosamente a lei, mas também não é por aí que a covid cá chega", afirmou à Lusa Vítor Silva, funcionário de uma frutaria, com a banca montada na freguesia de Moscavide, no município de Loures.

A empurrar o carrinho das compras, Adelaide Veran, de 78 anos, é residente na freguesia lisboeta do Parque das Nações, mas teve de ir hoje até Moscavide para ir à farmácia onde costuma aviar as receitas e para ir ao supermercado, porque é o que fica mais perto de casa, ainda que no concelho vizinho.

Sobre a medida de proibição de circulação entre concelhos, a partir de hoje e até segunda-feira, no âmbito do estado emergência devido à covid-19, a idosa considerou que é positiva, mas "um bocadinho exagerada" naquele caso em particular porque: "uma pessoa que mora ali não pode atravessar a rua para vir aqui".

Cumprindo com as medidas de segurança para evitar possíveis contágios da covid-19, nomeadamente desinfetando as mãos, Adelaide Veran já comprou tudo o que precisa para passar a Páscoa em casa, mas há "um pecado" que a obriga a ter de sair à rua todos os dias, que é ir beber a bica.

"Vejo muita gente realmente na rua, pessoas que, às vezes, se calhar, não têm necessidade ou, então, podiam pedir aos vizinhos, que podiam trazer as coisas, mas as pessoas também estarem em casa, uma pessoa que está acostumada [a sair à rua], fica maluca, eu estou quase doida", confidenciou.

Na banca da fruta, o vendedor Vítor Silva, de 54 anos, disse que as pessoas "cumprem minimamente" às regras para combate ao novo vírus, mantendo a distância de segurança de um metro e permitindo o atendimento de uma pessoa de cada vez.

"Há um dia ou outro que se vê mais movimento, mas isto também é porque Moscavide é um centro comercial a céu aberto, tem muito comércio, tem o centro de saúde, portanto, vê-se muita população, porque se dirige para ir às compras", argumentou.

Defendendo que a proibição de circulação entre concelhos deve ter em consideração particularidades de alguns territórios, Vítor Silva realçou que a medida, a nível nacional, é necessária, pelo que as pessoas devem cumprir para que se inverta a curva de crescimento de novos casos de infeção da covid-19.

A preparar-se para uma corrida e pisar o concelho de Loures, ainda que apenas no espaço de lazer junto ao rio, Mário Pina, de 44 anos, morador na freguesia lisboeta do Parque das Nações, indicou que, apesar de poder ser um incumprimento da medida que obriga a que permaneça no município de residência, a zona onde vai correr não tem movimento de pessoas e tem bastante margem para garantir a distancia de segurança.

Apoiando esta medida que vigora durante o período da Páscoa, o atleta amador lembrou que há países a dar os parabéns a Portugal, no âmbito do combate à covid-19, mas alertou que a preocupação dos portugueses "não foi geral", nomeadamente no cumprimento do confinamento em casa.

Caso disso foi o que aconteceu em Moscavide, onde se verificou nos últimos dias um "excesso de fluxo de pessoas" nas ruas, em que "parecia que já estava tudo bem e que já toda a gente podia voltar à sua vida normal", lamentou Mário Pina, indicando que houve fiscalização das forças de segurança nesse âmbito, porque as pessoas "nem 20 centímetros guardavam uma das outras".

"Já me quis precaver para não ter de sair mais, só saio hoje para a corridinha, domingo novamente, corridinha só, nada de compras, nada de público, nada de muito aglomerado, com a familiazinha em casa", afirmou o morador, realçando que a Páscoa é mais saudável se todos estiverem em segurança e bem de saúde.

Preparado para cumprir à risca as medidas devido à covid-19, Henrique Silva, de 73 anos, residente no Parque das Nações, afirmou que "não há desculpa" para sair do concelho de residência.

"A lei deve ser cumprida por todos e acho bem que eles façam isto, porque às vezes é uma vergonha o que se passa nos concelhos com as filas para as pontes, nos cruzamentos nas saídas de autoestradas", contestou o idoso, acrescentando que "até deviam apertar mais e dar multas fortes a quem não cumprisse".

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,5 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram quase 89 mil.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 409 mortes, mais 29 do que na véspera (+7,6%), e 13.956 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 815 em relação a quarta-feira (+6,2%).

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