Para o PSD, torna-se essencial “obter do Governo os exigíveis esclarecimentos sobre os constrangimentos que se têm verificado no SNS 24, assim como sobre os meios que lhe estão alocados e os recursos que a mesma requer, especialmente no que se refere a equipas de atendimento”.

Num requerimento com data de sexta-feira e que foi hoje divulgado, os sociais-democratas recordam as declarações do primeiro-ministro, António Costa, que no debate quinzenal de quarta-feira disse, quando questionado sobre a diretora-geral da Saúde, que “no meio da batalha não se mudam os generais, travam-se as batalhas.”

“Torna-se pelo menos incompreensível que o Governo tenha escolhido precisamente o dia seguinte ao das referidas declarações para afastar o presidente da SPMS, afinal o organismo público responsável pelo SNS 24”, afirmam, apontando que o momento escolhido para o “afastamento” deste dirigente que ocupava o cargo desde abril de 2013 “merece sérias dúvidas, atenta a presente crise de saúde pública”.

No requerimento, assinado pelos deputados Ricardo Baptista Leite e Álvaro Almeida, o PSD considera que as dúvidas “são ainda agravadas” pelas posteriores declarações de Henrique Martins, “segundo as quais terá avisado oportunamente o Governo relativamente ao risco de colapso no atendimento do SNS 24, devido ao aumento da procura motivado pela epidemia de Covid-19”.

“O mesmo responsável estabeleceu uma relação entre os cortes que o Governo aplicou à SPMS desde 2018 – num montante superior a 14 milhões de euros –, e as dificuldades de funcionamento que se têm verificado no SNS 24”, acrescentam os sociais-democratas.

Desta forma, o grupo parlamentar do PSD requer a audição “com a maior urgência possível” na Comissão parlamentar de Saúde quer de Henrique Gil Martins quer da secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Jamila Madeira.

No sábado, o primeiro-ministro afirmou que a substituição de Henrique Martins como presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, entidade responsável pela Linha SNS 24, estava pensada desde janeiro e “não tem nenhuma correlação” com o surto de Covid-19.

“Trata-se de um fim normal de mandato, foi um processo de substituição que estava desencadeado já desde janeiro, portanto muito antes de esta situação ter sido conhecida, e que não tem nenhuma correlação com a atual situação de crise que estamos a viver”, afirmou António Costa.

Portugal regista 30 casos confirmados de infeção, segundo o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde (DGS), divulgado no domingo.

Todos os infetados, 18 homens e 12 mulheres, estão hospitalizados.

A DGS comunicou também que 447 pessoas estão sob vigilância por contactos com infetados.

A epidemia de Covid-19 foi detetada em dezembro, na China, e já provocou mais de 3.800 mortos.

Cerca de 110 mil pessoas foram infetadas em mais de uma centena de países, e mais de 62 mil recuperaram.

Nos últimos dias, a Itália tornou-se o caso mais grave de epidemia fora da China, com 366 mortos e mais de 7.300 contaminados pelo novo coronavírus, que pode causar infeções respiratórias como pneumonia.

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