Em declarações à agência Lusa, o presidente da ASPP, Paulo Rodrigues, afirmou que o sindicato enviou, na semana passada, um ofício ao Ministério da Administração Interna (MAI) a solicitar a distribuição de máscaras sociais reutilizáveis aos polícias, mas ainda não obteve qualquer resposta.

Paulo Rodrigues acrescentou que este pedido da ASPP faz agora ainda mais sentido, depois da Direção-Geral da Saúde (DGS), Ordem dos Médicos e Escolas Médicas terem alertado que as viseiras de proteção facial não dispensam a utilização de máscara.

No caso da PSP, todos os elementos policiais têm uma viseira, que é de uso obrigatório, podendo ser substituído por uma máscara cirúrgica ou comunitária.

No entanto, o presidente do maior sindicato da PSP referiu que, enquanto a viseira foi distribuída gratuitamente por todos os polícias, a máscara tem de ser comprada pelos agentes.

Segundo Paulo Rodrigues, os polícias apenas receberam gratuitamente, no início da pandemia, um ‘kit’ com um par de luvas e uma máscara.

Atualmente, frisou, há muitos polícias a comprarem máscaras para se protegerem, o que contraria as declarações prestadas na terça-feira, no parlamento, pelo ministro da Administração Interna, que garantiu que os elementos das forças e serviços de segurança “não pagaram um cêntimo” do material de proteção individual, nomeadamente máscaras, que foi distribuído durante o estado de emergência.

Paulo Rodrigues salientou também que os polícias gostavam ter ouvido do ministro a garantia que ia distribuir máscaras por todos os elementos.

“O ministro no parlamento devia ter dito que queria que todos os policias estivessem munidos com viseiras e máscaras”, disse, lamentando que tenha tido “um discurso muito genérico”.

Quando questionado sobre o uso de máscaras pelos polícias juntamente com a viseira, Eduardo Cabrita respondeu, no parlamento, que as forças e serviços de segurança e os bombeiros receberam um 1,6 milhões de equipamentos de proteção individual, nomeadamente cerca de 600 mil máscaras, e “vão receber as que foram necessárias para a sua atividade”.

“A utilização de máscara ou de viseira tem a ver com as condições em que a atividade é desenvolvida”, disse ainda o ministro.

Para o presidente da ASPP, os polícias têm “todo o interesse além de viseira, usar a máscara” por “uma questão de saúde” e por ser mais prático.

Se os técnicos de saúde dizem que “só a viseira não é suficiente”, por isso o Governo “o mínimo que tem a fazer é apetrechar os polícias com máscaras reutilizáveis”, vincou.

Paulo Rodrigues disse ainda que, durante o estado de emergência, a viseira era suficiente, uma vez que nas operações stop se conseguia manter uma distância mínima.

Mas, na situação de calamidade e com o fim de estado de emergência, as operações são “muito mais complexas”, exigindo muitas vezes intervenção com os cidadãos, e as viseiras “não são práticas”.

Como exemplo, referiu que, na resolução de um desacato, a viseira “é a primeira coisa que vai saltar”.

Portugal está desde domingo em situação de calamidade devido à pandemia de covid-19, depois de 45 dias em estado de emergência, que vigorou entre 19 de março e 02 de maio.

Newsletter

As notí­cias não escolhem hora, mas o seu tempo é precioso. O SAPO 24 leva ao seu email a informação que realmente importa comentada pelos nossos cronistas.

Notificações

Porque as noticias não escolhem hora e o seu tempo é precioso.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.