Segundo o Guardian, este caso despoletou quanto uma conversa privada entre Matheson e Rich Wyler foi partilhada pelo grupo de defesa LGBT Truth Wins Out.

Depois da conversa se tornar pública, Matheson fez um post no Facebook a 22 de janeiro para confirmar que era homossexual. Segundo o texto que escreveu, o momento-chave correu no ano passado quando se apercebeu de que tinha de mudar a sua vida porque não conseguia ignorar o desejo de ter uma relação com um homem. Como tal, divorciou-se da sua mulher, com quem estava casado há 34 anos.

No post, Matheson concede que "não serve de desculpa", mas justifica as suas "falhas enquanto terapeuta" na sua "homofobia e intolerância" que constituíram uma "visão limitada do que é ser emocionalmente são". Matheson lamenta ter "seguramente causado mal a algumas pessoas" e a mesmo tempo pede desculpa pela "confusão e dor que esta escolha pode estar a causar aos outros".

Dois dias depois de fazer a revelação, Matheson participou num podcast do jornal Salt Lake Tribune para apontar as causas da sua homofobia nos ensinamentos da igreja Mórmon, dizendo também que obteve consolo em sessões de terapia para lidar com a sua própria homossexualidade. Terão sido os aparentes benefícios destes tratamentos e a vontade de ajudar outros como ele que o levaram a tornar-se um terapeuta.

Matheson diz que a postura da igreja Mórmon melhorou em relação aos direitos LGBT desde os anos 70, mas a instituição, apesar de não considerar oficialmente a homossexualidade um pecado, ainda tem uma política de que quem tem comportamentos dessa índole não pode participar na igreja.

Matheson era uma figura reconhecida na área das "terapias de conversão ou reparação", que advogam a ideia de que a reorientação sexual é possível e que ser homossexual é algo "curável".

Tais tratamentos têm sido desacreditados a nível internacional - por órgãos desde a Organização Mundial de Saúde à Associação Americana de Psicólogos - e também nacional, já que tanto a Ordem dos Médicos como a Ordem dos Psicólogos Portugueses rejeitam a ideia de que a orientação LGB é uma doença mental.

Em Portugal, a TVI transmitiu uma reportagem da jornalista Ana Leal sobre terapias de reorientação sexual praticadas por psicólogos, psiquiatras e padres da Igreja Católica. Esta peça foi alvo de queixas ao regulador dos media ERC e à Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ) devido à forma como o material de reportagem foi obtido.

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