No comunicado divulgado às redações, a Ordem dos Médicos começa por "lamentar o ocorrido e expressar sentidas condolências aos familiares de todas as vítimas", insistindo "na importância de lideranças na saúde que sejam claras, fortes e independentes, e a necessária adequação de meios para uma resposta de qualidade a todos os doentes".

É ainda referido que, dado o caso, "todas as medidas de fiscalização e auditorias externas que contribuam para a melhoria assistencial e a prevenção de acontecimentos nefastos devem ser aproveitadas para melhor combater o atual surto e situações futuras".

O Gabinete de Crise realça ainda o apoio da equipa de auditores da Ordem dos Médicos que, "em apenas duas semanas", contribuiu para "apurar os factos numa matéria tão sensível, e que se centrou nos doentes e nas vítimas".

Foi ainda referido que "os médicos portugueses vão continuar no terreno ao lado dos seus doentes, seja presencialmente nas urgências, nos internamentos, ou nos gabinetes de consulta, ou por videoconferência em reuniões científicas ou na comunicação social, ou na vigilância epidemiológica e implementação de medidas de controlo da pandemia".

Neste apoio, é essencial zelar "pelos direitos dos doentes, sobretudo dos mais frágeis, e sem abdicar do dever de denúncia e de recomendações construtivas".

O surto de Reguengos de Monsaraz, detetado em 18 de junho, provocou 162 casos de infeção, a maior parte no lar (80 utentes e 26 profissionais), mas também 56 pessoas da comunidade, tendo morrido 18 pessoas (16 utentes e uma funcionária do lar e um homem da comunidade).

O relatório da Ordem dos Médicos concluiu que o lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva não cumpria as orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS) e apontou responsabilidades à administração, à Autoridade de Saúde Pública e à Administração Regional de saúde (ARS).

A Procuradoria-Geral da República instaurou um inquérito sobre o surto de covid-19 neste lar e disse esta semana à Lusa que a investigação prossegue e que não há arguidos constituídos.

Portugal contabiliza pelo menos 1.788 mortos associados à covid-19 em 54.992 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

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