Em declarações à agência Lusa, Duarte Cordeiro, líder da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS e secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, classificou como "delirantes" as acusações sobre uma alegada cumplicidade de Fernando Medina com o regime russo e lembrou que o autarca de Lisboa recebeu na Câmara em março a líder da oposição na Bielorrússia, Svetlana Tikhanouskaia.

"É óbvio que estamos perante um erro lamentável, como disse na quinta-feira o presidente da Câmara de Lisboa. Um erro que nunca devia ter acontecido", sustentou Duarte Cordeiro.

O líder da FAUL do PS, que foi vice-presidente da Câmara de Lisboa até 2019, assinalou depois que Fernando Medina anunciou "logo na quinta-feira o levantamento de todas as situações que aconteceram no passado" sobre partilha de dados de promotores de manifestações.

"Fernando Medina fez o que qualquer responsável político, tomando conhecimento de um procedimento burocrático errado e inaceitável, deve fazer. Tentou perceber a extensão do que correu mal no passado, e deu ordens para parar imediatamente qualquer partilha de dados com qualquer organização que não a PSP. Disse também que os serviços em causa iriam ser reformulados na sequência dessa auditoria", especificou Duarte Cordeiro.

Depois, o líder da FAUL do PS deixou várias críticas à forma como algumas forças políticas reagiram a este caso, apontando, sobretudo, o candidato do PSD à Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, o presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, e o líder social-democrata, Rui Rio.

"O que temos assistido na praça pública pelos mais variados partidos, na sequência deste caso lamentável, é também lamentável e escusado. Acusações de cumplicidade com Putin, como disse Carlos Moedas, ou de terrorismo político, como afirmou líder CDS, são delirantes e um absurdo", advogou.

Duarte Cordeiro considerou mesmo que se assiste a "uma tentativa de escalada política inaceitável no tom e no propósito, que têm muito mais a ver com a proximidade de uma campanha do que com qualquer preocupação com os ativistas".

"Medina, para quem está esquecido, recebeu há três meses na CML a líder deposta da Bielorrússia e principal rosto da oposição democrática. Ontem mesmo [quinta-feira] disse em público que se revia nos propósitos da manifestação", observou o ex-vice-presidente da Câmara de Lisboa.

Já em relação ao presidente do PSD, Duarte Cordeiro defendeu que Rui Rio procurou sobretudo ligar o primeiro-ministro, António Costa, a este caso.

"Rui Rio prova que está muito pouco interessado em esclarecer o que se passou e que esses procedimentos sejam corrigidos. Tenta sobretudo entrar pelo campo do aproveitamento político mesquinho", acrescentou.

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